aaaa

“Procuramos talentos que levem a carreira a sério”, diz Stacey Wilhelm, diretora sénior do SXSW

Postado por INKER Agência Cultural em

O segundo dia da quarta Semana Internacional de Música de São Paulo mostrou a conexão de ideias de vários especialistas de música de lugares diferentes que recomendam a mesma atitude para quem quer tocar fora do Brasil: estude a cena musical que você quer mostrar a sua arte. Bateram nessa tecla a comitiva canadense mais Felipe França Gonzalez (diretor da Difusa Fronteira – Núcleo de Integração Cultural Brasil América Latina) e também a equipe do renomado South by Southwest, que acontece em Austin, nos Estados Unidos.

“Quando recebemos pedidos para se apresentar no SXSW avaliamos primeiramente se o artista tem talento e, principalmente, se ele leva a carreira à sério”, diz Stacey Wilhelm, diretora sénior do SXSW, que palestrou acompanhada por Tracy Mann (co-criadora do SXSW Eco) e Mark Gartenberg, experiente profissional da música (Sony Music, Rock in Rio, Bonnaroo, Lollapalooza) que trabalha no SXSW em uma nova programação para compositores e produtores internacionais que serão piloto em 2017.

O trio de palestrantes foi bastante enfático no termo “profissional”. Segundo eles, é preciso “pensar numa carreira”. Se apresentar no SXSW “não é só ir lá, tocar e beber umas cervejas”, comentou Stacey Wilhelm em determinado momento. “Isso acontece, mas buscamos artistas que possam ir além disso, que possam transformar a experiência do festival em algo maior”. Segundo ela, “a gente escolhe o que a gente gosta, o que a gente quer trabalhar naquele ano do SXSW, e isso pode mudar no ano seguinte”.

“Trabalhamos diretamente com a indústria do disco”, comentou a diretora. Mark Gartenberg pontuou: “Você não precisa ter distribuição do seu disco nos EUA para tocar no SXSW, mas é preciso estar aberto a parcerias”. O SXSW Conference & Festivals já tem data para acontecer em 2017: de 10 a 19 de março. “Austin é uma cidade pequena, o centro da cidade, onde acontece o festival, é bastante pequeno e isso faz parte da beleza do SXSW”, resumiu Stacey Wilhelm.

OLHANDO PARA A AMÉRICA LATINA

O mesmo viés de ideias de mercado estrangeiro pode ser visto na palestra “Como circular pela América Latina”, coordenada por Felipe França Gonzalez, que, com a plateia lotada, fez um teste interessante logo no começo de sua fala: “Levantem as mãos. Vou falar o nome de cinco artistas e quem não conhecer algum deles abaixe a mão: Raul Seixas (Brasil), Café Tacvba (México), Los Fabulosos Cadillacs (Argentina), Charly Garcia (Argentina) e Aterciopelados (Colômbia)”. Ao fim do teste, cerca de 10% da sala conhecia os cinco artistas, e Felipe arrematou: “Para circular pela América Latina é importante que se conheça a música da América Latina”.

A grande questão, segundo Felipe (e referendada na palestra da comitiva canadense e do SXSW) é que o artista que busca o mercado estrangeiro precisa saber se a música que ele faz se encaixa em determinada cena local. “Todos os artistas que citei são grandes vendedores d discos em seus países. Quem quer viajar pela América Latina precisa conhecê-los”, ponderou Felipe, que ainda lamentou a falta de managers e produtores voltados para a região Latam (“Inscreva-se na MMF (Managers Musicales). Isso fortalece a rede”, disse) e anunciou que em 2017 trará a grande cantora cubana Daymé Arocena para circular no Brasil: “Se alguém estiver interessado em ter um show dela em sua cidade, me procure”.

sim-@aanamoraes-@moviola-10

A MÚSICA DO CANADÁ E DA REGIÃO DE QUEBEC

A comitiva canadense que veio ao Brasil foi composta por Franz Schuller (selo Indica), Michael Bardier (agência Heavy Trip), Gourmet Délice (agência e selo Bonsound), Dan Seligman (Pop Montreal Festival), Jean-Phillipe Sauvé (SODEC). Logo no começo da conversa, Franz opinou: “Uma das melhores maneiras de tocar em outro país é se conectar com bandas desse país. Essa conexão a abre portas, pois a banda local sabe onde a sua banda pode se encaixar”. Michael Bardier foi enfático: “Estou aqui para ver o maior número de bandas possível! Estou procurando bandas boas”. No que Franz completou: “A música feita no Brasil é diferente! Vocês têm muito a oferecer ao mundo”.

Sobre a questão de tocar no Canadá e em Quebec (“Uma coisa muito importante entender: existe um mercado de música no Quebec e outro no resto do Canadá. São mercados diferentes”, pontuou Franz), o dono do selo Indica sugeriu: “Eu acho que é melhor visitar o país antes, conhecer a cena, saber como ela funciona, para depois tocar lá”. O mesmo pensamento foi compartilhado pelo moderador da mesa, Fabrício Nobre (Bananada Festival): “É preciso fazer um planejamento de viajar ao menos duas vezes para o local onde você quer tocar: uma para conhecer a cena e outra para tocar. É preciso ter dinheiro para essas duas viagens. Se você tem apenas para uma, meu conselho é: Não vá. Você vai perder dinheiro”.

Toda mesa ressaltou a importância do artista encontrar o seu lugar na cena musical. “Todo mundo quer ir ao SXSW e à Womex, mas existem diversas outras conferencias como essa rolando pelo mundo, e que permitem criar uma relação muito mais profunda do que num grande evento, em que você é apenas mais um buscando um lugar ao sol”, colocou Fabrício. “Se eu tivesse uma banda de indie pop hoje, eu não iria ao SXSW. Eu iria ao Pop Montreal. Se fosse algo relacionado a world music, eu não iria à Womex e sim a alguma pequena conferencia na Alemanha, por exemplo”, completou.

Segundo Franz Schuller, é preciso fugir do óbvio. “Muitos artistas tentam desesperadamente entrar no mercado norte-americano. Eu já trabalhei com eles e eles só pensam em dinheiro, no lado financeiro. A concorrência é enorme. E querem saber uma coisa: o mercado do México vive um momento excelente. Existem vários lugares para tocar, vários festivais, e em muitos casos eles estão pagando até melhor do que nos Estados Unidos”, comentou o canadense, que, finalizando, mostrou a conexão de ideias que permeia o grupo de palestrantes: “Antes de pensar em tocar no Canadá, vocês precisam pensar localmente. Por exemplo: vocês não pensam na América do Sul e os existem diversos outros países latinos para serem explorados exatamente aqui ao lado”, concluiu Franz.

sim-@aanamoraes-@moviola-11

A Semana Internacional de Música de São Paulo segue com uma programação repleta de atividades até o domingo, 11 de dezembro. Confira a programação completa aqui. A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da Skol, BNDES, Coca-Cola e Funarte.

Fotos de Ana Moraes / SIM São Paulo