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Saiba como foi o primeiro dia de conferencias da SIM São Paulo 2016

Postado por INKER Agência Cultural em

O primeiro dia de conferencias da SIM São Paulo mostrou que o evento cresceu reunindo profissionais de diversas áreas de atuação na música em torno de 18 painéis de discussão, diversos speed meeting, três meet up (com distribuidoras digitais, convidados internacionais e a comitiva australiana) além de nove showscases no Centro Cultural São Paulo e sete festas espalhadas pela noite paulistana (Noite Urban Jungle, Noite Google, Festival Dias Nórdicos, SIM Transforma, Bananada na Casinha, Noite Sergipana e Noite Brasil Music Exchange).

Na área dos painéis, muitas salas tiveram lotação esgotada com fila de espera e profissionais de várias áreas da música puderam trocar impressões sobre o cenário atual e responder questões do público. Logo na abertura do dia, o vereador Nabil Bonduki falou sobre a pré-aprovação do projeto de lei SP Cidade da Música pela Câmara de São Paulo. “Essa mobilização da SIM é importante para que possamos ter, na semana que vem, uma presença muito significativa do setor da música na Câmara”, disse, referindo-se à segunda votação da PL.

Ainda na parte da manhã, Marcel Klemm, da Rede Globo, contou um pouco de como funciona o processo de pesquisa e produção da trilha sonora de uma novela. Na mesa “Crítica Cultural x Curadoria de Conteúdo”, o mediador, Alexandre Matias (Trabalho Sujo), provocou: “A única saída para a crítica musical são marcas bancando?”. Segundo Rafael Rocha (Noize), “é preciso saber separar as coisas e não ser apenas o que uma marca quer”. Dilson Laguna, do SofarBrasil, pediu: “A gente precisa se mobilizar e criar alternativas para o cenário alternativo”. Já Guilherme Werneck, da revista Bravo, foi enfático: “Existem vários modelos de negócio e cada um tem que encontrar o seu. Hoje em dia não basta escrever bem”.

Uma das conversas mais disputadas pelo público foi a que reuniu seis mulheres produtoras de festivais. Um dos grandes sucessos deste primeiro dia da SIM, o keynote “Dando Vozes a Elas” reuniu Daianne Dias (Bananada Festival/Goiânia, GO), Maithe Bertolini (Festival Contato/São Carlos, SP), Ana Morena Tavares (Festival DoSol/Natal, RN), Renee Chalu (Festival SeRasgum/Belém, PA) e Luciana Simões (Festival BR 135/São Luis, MA), com mediação de Fabiana Batistela (Inker e SIM São Paulo). “As mulheres precisam de representatividade e essa mesa da SIM é muito importante”, colocou Ana Morena.

“Existe machismo? Existe, mas nós precisamos sair dessa zona de conforto e tomar a posição de protagonismo”, disse Luciana Simões, e toda mesa concordou que um dos papeis do homem é reforçar esse protagonismo da . “Algumas vezes tomo uma decisão e o fornecedor vai perguntar para o meu sócio, homem, se é realmente isso. E o papel dele não é confirmar, como se a última palavra fosse dele, mas mostrar que temos a mesma importância: ‘Se ela falou que é, é”, comentou Ana Morena, que prometeu para 2017 ter mulheres à frente da direção de palco do festival DoSol: “Não existem diretoras de palco em Natal? Vamos formar, vamos fomentar”, prometeu.

Outra mesa bastante disputada pelo público foi a que reuniu Andreas Kisser (Sepultura), Adriano Cintra (ex-CSS), Benke Ferraz (Boogarins) e Luisa Maita com mediação de Marcos Boffa, e que buscou contar a experiência de cada um dos músicos no exterior. Na sala ao lado, a jornalista Roberta Martinelli entrevistava uma das maiores empresárias do cenário cultural brasileiro, Flora Gil, que está a frente da Gege Produções Artísticas desde 1982. “Aprendi a fazer o que faço. O Gilberto Gil no meu lugar faria menos. E eu, no lugar dele, não faria tão bem o que ele faz (risos). Encontrei o meu lugar”, comentou Flora, que ainda falou sobre mercado (“O digital está arrecadando mais hoje em dia, mas o que realmente dá dinheiro para o artista é show”) e editoras musicais: “Acho importante o trabalho da editora, mas a propriedade deveria ser sempre do artista. Cessão de direitos é inaceitável, e algumas pessoas se aproveitam disso. A regra é simples: leia o que assina”.

Outra palestra que rendeu ótimos momentos foi “O Mercado de Música na Europa hoje e a Conexão Possível com o Brasil”, com David McLoughlin (BM&A), Luis Viegas (Ao Sul do Mundo, Portugal), Paul Cheetham (Reeperbahn Festival, Alemanha), Ruben Scaramuzzino (Zona de Obras, Espanha), Henrik Friis (Dias Nórdicos, Dinamarca) e Frank Abraham (F-Cat, Alemanha). Segundo Paul Cheetham, “cantar em inglês ajuda (a tocar na Alemanha), mas não é necessário. O mais importante é ter personalidade, não soar como outras bandas europeias”. Ele busca para o Reeperbahn Festival “artistas da América do Sul que tenham um gostinho latino”, e dá a dica: “É preciso estudar o mercado que você quer entrar, saber se sua música cabe naquele país. Não é só comprar a passagem e ir. É preciso networking”.

“Nós temos alguns festivais na Dinamarca e mesmo bares que estão interessados em escalar bandas do mundo todo, inclusive brasileiras”, comentou Henrik Friis, que salientou a barreira da distância: “Existe um enorme oceano entre nós, e fazer um show na Dinamarca confiando apenas na bilheteria é suicídio financeiro. É preciso viabilizar possibilidades”, comentou. Na mesma linha, Luis Viegas contou de sua experiência em produzir seis shows recentes de Elza Soares na Europa: “Três destes shows foram em Portugal, e foi um sucesso. Portugal é uma porta de entrada para a Europa e tentamos fazer o link das propostas que recebemos com as casas de shows portuguesas”.

O primeiro dia da SIM também foi utilizado para o anuncio de novos festivais no Brasil para 2017. Foram confirmadas a realização do Festival Contrapedal Brasil, Women’s Music Event e Sêla em São Paulo mais Festival CoMA em Brasília e a quarta edição do Circuito de Parques – Música, Bike & Meio Ambiente, em Belo Horizonte. O produtor Fred Furtado também anunciou a estreia do aplicativo Dazibol, ainda em versão beta, uma plataforma gratuita que busca conectar artistas, selos, fornecedores e produtores. A SIM ainda trouxe mesas com a nova força do mercado musical do Rio Grande do Sul, uma proposta de conexão com a Argentina, crowdfunding, distribuição digital e live marketing, entre outras. E tudo isso só no primeiro dia.

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A Semana Internacional de Música de São Paulo segue com uma programação repleta de atividades até o domingo, 11 de dezembro. Confira a programação completa aqui. A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da Skol, BNDES, Coca-Cola e Funarte.

Fotos de Ana Moraes / SIM São Paulo

 


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