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Saiba como foi o segundo dia de conferencias da SIM São Paulo 2016

Postado por INKER Agência Cultural em

O segundo dia da SIM São Paulo 2016 teve declarações de amor ao vinil, palestrantes discutindo a formação acadêmica de músicos no Brasil, debatedores buscando aprofundar a ideia da música como influenciadora e agregadora de valores, direitos autorais no mundo digital, música nas cidades, música contra o discurso de ódio e uma palestra sobre crowdfunding com Bruno Sutter, da banda Massacration, contando sua experiência de colocar backing vocals e solos de guitarra de seu disco como recompensa de financiamento coletivo. “Um rapaz comprou o solo de guitarra e, quando chegou ao estúdio, não saiu nada. Tive que devolver o dinheiro para ele”, contou. “Porém o outro cara que havia adquirido essa recompensa era tão bom que hoje está na minha banda, tocando comigo”.

A sexta-feira de palestras foi aberta com o debate “Formação Musical Acadêmica no Brasil”, que reuniu profissionais da ECA-USP, Unicamp, Souza Lima, Anhembi Morumbi e FASM. O moderador Marcelo Coelho, o painel mostrou uma “discussão muito importante e atual”. Na sala ao lado, Marcelo Goldenstein, do BNDES, falava sobre “Investimento Privado em Projetos de Música” e dizia seguir o conselho do grande André Midani: “Pensamos em música brasileira para exportação”.

Na conversa sobre “Música Como Conteúdo Influenciador e Agregador de Valor”, os palestrantes falaram como a programação musical influencia seus eventos. “Tentamos no In-Edit agregar conteúdo ao público através de filmes”, contou Marcelo Aliche. “No F.A.M. – Food, Art, Music – temos 40 horas de música. O festival é gratuito”, disse Ricardo Delgado, que ainda busca um formato para encaixar a música em seu evento. “A gente sempre transitou na seara da música independente, mas ainda estamos testando formatos”, concluiu. Gustavo Steinberg, do Festival de Músicas e Bandas, disse que seu evento “busca abrir espaço para novos talentos”. Lia Vissotto contou sua experiência: “No Music Video Festival tentamos intercalar shows e debates e têm funcionado muito bem”.

Logo depois, a palestra “Vinil é Amor” reuniu apaixonados pelo bolachão. Não a toa, quando Michel Nath, da Vinil Brasil, perguntou quem tinha toca-discos em casa, 90% da sala levantou as mãos. “Vocês não valem (risos). Vocês estão aqui porque gostam de vinil”, comentou. A fala surgiu porque Pablo Rocha, do selo Noize Records Club, comentou que o principal dificultador da popularização do vinil no país é a dificuldade de se encontrar toca-discos. E, claro, o preço. “Quem tiver a ideia de investir nesse mercado pode se dar bem”, comentou Michel Nath.

A discussão girou em torno de preços de vinil com toda mesa defendendo que os impostos praticados no país encarecem o preço final do disco, mas, ainda assim, todos concordam que o vinil chegou para ficar. “O vinil no Brasil deixou de ser moda para se transformar em realidade”, comentou Marcio Custódio, da loja Locomotiva. Para Michel Nath, o vinil é uma forma “de preservar a cultura, preservar a história”. Michel já está fabricando vinis na Vinil Brasil, mas ainda não abriu a fábrica oficialmente. “Abrir uma fábrica de vinis no Brasil não é processo tão simples”, contou.

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Uma das palestras mais concorridas do dia reuniu Alexandre Cavalo Dias, Paulão de Carvalho e Tuca Paiva (os três da banda Velhas Virgens, que apresentou seu case cervejeiro na SIM e divertiu o público), Evandro Fióti (que contou sua experiência com o selo Laboratório Fantasma) e Fabiana Lian (On Stage Lab) com o tema “Meu próprio caminho. Histórias de sucesso de empreendedorismo musical no Brasil”.

Três outras palestras da sexta-feira versaram sobre circulação no exterior. A equipe do South By Southwest, que acontece em Austin, no Texas, falou sobre o que busca quando seleciona um artista para se apresentar no festival (saiba mais aqui). Felipe França Gonzalez, da Difusa Fronteira, defendeu que é preciso conhecer a cena local do país que o artista quer tocar. “É preciso saber se a sua música se encaixa nessa cena”. A mesma opinião foi defendida pela comitiva canadense, que foi além: “Antes de pensar em tocar no Canadá, vocês precisam pensar localmente. Por exemplo: vocês não pensam na América do Sul e existem diversos outros países latinos para serem explorados exatamente aqui ao lado”, concluiu Franz.

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A Semana Internacional de Música de São Paulo segue com uma programação repleta de atividades até o domingo, 11 de dezembro. Confira a programação completa aqui. A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da Skol, BNDES, Coca-Cola e Funarte.

Fotos de Ana Moraes / SIM São Paulo