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Saiba como foi o terceiro dia de conferencias da SIM São Paulo 2016

Postado por INKER Agência Cultural em

O terceiro dia da Semana Internacional de Música de São Paulo manteve o ritmo acelerado com palestras, meet-ups, showscases, speed-meetings e workshops dos dois dias anteriores com diversas salas lotadas, negócios em andamento e, especialmente neste sábado, a apresentação de três filmes dentro da Mostra Audiovisual. Um dos destaques da programação, o painel “Liberdade de Gênero na Música”, com Liniker, Lineker, Raquel Virgínia, Jaloo e Assucena Assucena (As Bahias e a Cozinha Mineira) com mediação de Djamila Ribeiro (Secretária adjunta de Direitos Humanos) foi um dos mais aplaudidos de todo o evento.

O dia começou com um workshop sobre Melhores práticas para divulgação de eventos que reuniu músicos e produtores. Na sequencia, Hugo Bernardo, da Eventbrite, apresentou uma pesquisa inédita sobre música ao vivo no Brasil feita em parceria com a SIM, desenvolvida em 12 estados com 1000 pessoas e que mostrou a importância das redes sociais (“76% das pessoas que vão a eventos de música ficam online no evento compartilhando”, contou Hugo) e que grandes fãs vão em média a 6 ou mais eventos de música por ano somando 17% dos entrevistados – 83% vão a 1/2 eventos por ano. A SIM São Paulo irá disponibilizar essa pesquisa completa logo mais.

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Duas palestras do dia focavam nos festivais de música nacionais. A primeira, “Novos Festivais de Música no Brasil”, foi bastante concorrida e esteve absolutamente lotada durante a 1h30 que falaram os responsáveis pelos festivais Transborda (Belo Horizonte), Vento (Ilhabela), Coala, Dia da Música e Fora da Casinha (os três da capital paulista) mais Timbre (Uberlândia) e Radioca (Salvador). Mancha Leonel, do Festival Fora da Casinha, contou que seu evento “cumpre a função de deixar o público próximo do artista dentro do Festival”, e ainda salientou que o Fora da Casinha é totalmente independente: “Não temos patrocinadores, e nunca vamos ter. Nada contra quem tem, mas, do jeito que as coisas estão, quis testar esse formato para mostrar que, sim, é possível fazer um festival sem anunciantes e patrocínio público”.

Um dos temas da palestra foi curadoria e Camila Cortielha contou que o Festival Transborda é um festival cuja curadoria está em constante mutação: “Já fizemos uma edição com 80 atrações e, neste ano, decidimos fazer uma edição com apenas 8”, exemplificou. Para Anna Penteado, do festival Vento, de Ilhabela, “foi importante levar Jaloo e Liniker e os Caramelows para o festival, permitir essa discussão na ilha”. Já Carol Morena, do festival Radioca, contou que a curadoria do evento “valoriza bastante o ineditismo do artista em Salvador (seja em show, seja lançado disco)”, mas observou: “Valorizamos o novo no Festival Radioca, mas não o novo por apenas ser novo: a banda tem que segurar a onda. Não basta ter um bom disco, tem que ter um bom show. A gente só leva ao Radioca quem já vimos ao vivo”, contou.

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“Para o Coala Festival, é preciso ter um artista que leve público. Isso permite que o Festival faça apostas”, explicou Marcus Preto, um dos curadores do evento que chegou a sua terceira edição em 2016. “Para a terceira edição do Festival Timbre, em Uberlândia, fizemos uma consulta com o público sobre artistas”, comentou Gabriel Caixeta, que espera em 2017 conseguir realizar mais uma edição do evento, a quarta, e a primeira em anos ímpares: “Fizemos em 2012, 2014 e 2016. Quero quebrar essa rotina”, comentou, pontuando ainda: “Muita gente questiona o contratante, mas o artista precisa saber que estamos do lado dele”.

A palestra da equipe dos Festivais Brasileiros Associados (FBA) reuniu em outra sala Marcelo Domingues (Demo Sul, de Londrina), Marta Carvalho (Festival Satélite 061 24h Noar, de Brasília), Jomardo Jomas (MADA, de Natal) e também Gabriel Caixeta (Festival Timbre, de Uberlândia). Na mesa, o grupo anunciou a proposta de um edital para que bandas circulem durante o ano todo de 2017 nos festivais associados – além dos quatro da mesa integram a associação o Abril Pro Rock (Recife), Goiânia Noise (Goiânia), Porão do Rock (Brasília), El Mapa de Todos (Porto Alegre), Psycho Carnival (Curitiba) e 53HC (Belo Horizonte), entre outros.

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Uma das conversas mais aguardadas do evento, o painel “Liberdade de Gênero na Música” veio na sequencia. “Estamos aqui porque temos muito talento, e porque existe uma pressão para que a gente esteja aqui”, comentou Raquel Virgínia, da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, completando: “2016 foi o ano em que mais tive destaque, e também mais sofri violências”. MC Linn contou que usa “a música para inventar uma história, que talvez nem exista ainda!”. Depois, convidou a plateia a refletir: “Precisamos pensar em que lugar o feminismo ocupa, independe do corpo que ocupe”.

“Eu experiencio minha questão feminina. Me dá muita força e eu adoro! Me dá orgulho, mas não tenho problema com minha masculinidade”, explicou Jaloo. Lineker contou que vai “ao show de todas elas dessa mesa, e volto pra casa mais motivado a desbravar. É um processo de resignificar”. Para Assucena Assucena, da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, “a política permeia a obra, mas não é o centro da obra”. MC Linn, por sua vez, definiu: “O funk é a poesia da quebrada, é a poesia da favela, e conta a história não contada”.~

Uma das novidades desta edição da SIM São Paulo foi o Pitching, uma apresentação breve de um projeto para aceleradores de startups. Na SIM, nove projetos foram selecionados e apresentados para uma equipe de profissionais, que os analisou e discutiu pontos positivos e outros que poderiam ser melhorados. Patrícia Palumbo apresentou o case da Rádio Vozes. Na sequencia, Luis Haruna mostrou o projeto de app Índio Indie. Vieram na sequencia Música Gráfica (sobre merchandising para artistas), Aonde o Mura Mora (site que reúne registros de vídeo de alta qualidade de músicos de rua), Banana’s Music Branding (projeto de curadoria musical para marcas), Fleeber (plataforma que conecta profissionais com o mercado da música em cinco idiomas), Gramo (uma empresa de gestão de carreiras), o web app Espalha Cultura e, encerrando, Sonz, um aplicativo que envia ao usuário uma música nova por dia.

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Festas, festas e mais festas

Além dos showscases do dia, a SIM São Paulo se espalhou pela noite da cidade. No Jazz nos Fundos aconteceu a Noite SIM Instrumental, com Yangos, Ricardos Herz, Coisa Fina e Strobo; no Estúdio Music Club, uma grande festa da noite Slap + Inker com shows de Scalene, Selvages a Procura de Lei e Adam Naas. Próximo dali, no Centro Cultural Rio Verde, os canadenses surpreendiam com a Quebec Night reunindo quatro atrações dispares, mas de muita qualidade: Les Deuxluxes, Rando Recipe, Foreign Diplomats e Chocolat. O Z Carniceria recebeu a Noite Elemess com Medulla, Ego Kill Talent e Far From Alaska. No Stage Bar rolou o showcase Let’s Gig com Banda Uó, Serge Erege, Luê e Gabi Milino. E, fechando, na Vic – A Casa do Centro, aconteceu a Noite Difusa Fronteira com Juanafé, El Efecto e Francisco El Hombre.

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A SIM São Paulo é uma realização da Inker Agência e este ano conta com o patrocínio da Skol, BNDES, Coca-Cola e Funarte.