Adriano Ministro comenta relação entre música e lutas políticas

A SIM São Paulo catalisa encontros: profissionais de diversas áreas do mercado frequentam a feira e expandem seus horizontes e conexões. A série Humans of SIM traz histórias de pessoas que comparecem e aproveitam o melhor da SIM. O episódio desta semana é sobre o Adriano Ministro, agente do Black Pantera e nome por trás da Raiz Forte Produções.

Formado em Produção Fonográfica, Adriano Ministro já atuou em diferentes funções dentro do mercado da música e sua história se encontra com a da SIM ao longo dos anos. “Estive na edição de 2014, na praça das Artes. Estava como road manager do Féfé (artista francês) que se apresentou na Noite Francesa. Desde então, sempre participei de alguma maneira, seja efetivamente das conferências ou indo aos showcases e a programação noturna”, revela.

Em 2018, ele veio à convenção junto do Black Pantera, um dos selecionados para se apresentar nos showcases diurnos. O produtor acompanha a banda há mais de 3 anos e, para ele, este foi um ponto de inflexão na carreira deles: “O ano de 2018 já estava um ano bastante ‘cremoso’, como dizemos nas internas. Quando soubemos da seleção foi uma delícia, pois a intenção de todo mundo era levar a banda e o seu trabalho para outro estágio, público e lugares, e estar na SIM daquele ano era um marco muito simbólico nesse processo, principalmente por ser um som muito diferente do que vinha sendo apresentado nos showcases e apostamos as fichas nesse diferencial.”

O Black Pantera recebeu a responsabilidade de abrir a programação da sala Adoniran Barbosa na sexta-feira, uma injeção de energia e peso logo depois da hora do almoço. Para um produtor, assistir seus artistas subirem ao palco para um show de 20 minutos em um evento com pessoas de todo o mundo traz um tipo específico de ansiedade — que logo é substituída pela satisfação de vê-los quebrando tudo. “Foi um acontecimento, uma porrada de 20 minutos muito bem dada! Apresentamos a banda para o mercado dos festivais independentes, nacionais e internacionais… outra coisa que muito surpreendente foi a indicação ao Prêmio SIM daquele ano [na categoria Novo Talento]. Não esperávamos estar nesse rolê”, relembra.

Adriano também participa da curadoria de eventos como Feira Preta, Pretas Potências e Brasília Tattoo Festival e, para ele, as feiras de música são espaços fundamentais para troca de ideias e fortalecimento de redes: “Particularmente, é o tipo de evento que me agrada por conta desse foco em negócios e nos conteúdos apresentados, além, é claro de descobrir muita música nova e bem feita.”

 

 

Em junho deste ano, o Black Pantera lançou “I Can’t Breathe”, música em apoio ao movimento #VidasNegrasImportam e referência ao assassinato de George Floyd, morto por policiais brancos na cidade de Minneapolis (USA). No Brasil, a realidade não é muito diferente da dos Estados Unidos e o racismo e a violência policial continuam fazendo vítimas diariamente. Para o produtor, o papel da música e da arte é justamente o de levantar essas questões: “É tirar quem escuta do lugar de conforto. Agora, o que as pessoas farão depois dessa experiência, cabe muito mais à elas, e espero profundamente que elas tentem deixar esse mundo um pouco melhor do que encontraram”.

Esse posicionamento político não é recente e faz parte da discografia e da estética da banda desde o início de sua carreira, e vem se tornando mais intenso e presente. “Em relação às obras da Black Pantera, essa provocação através das letras, do visual dos caras e tudo mais veio de maneira muito natural. hamos a intenção de fazer e de posicionar o trabalho de maneira diferente, mas a nós só cabe a escolha e alguma governança para onde a canoa vai. A partir do momento que é lançado, as possibilidades são infinitas, para o bem e para o mal. Por um lado, teve um pessoal que se manifestou ‘Pô, continuem fazendo o som sem falar de política! Só queremos curtir e dar mosh!’ e coisas afins, assim como teve uma imensidade de outras pessoas que acharam foda uma banda de rock formada por pessoas pretas, que sempre gostaram desse tipo de música e nunca se viam representadas nos palcos. Desse ponto em diante, isso foi tratado com muito mais cuidado por todos nós”, reflete.

Quando o coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, Adriano e o Black Pantera estavam de malas prontas para Portugal, onde uma turnê inteira os aguardava. “A entrada nesse período de pandemia foi uma rasteira muito bem dada. Teríamos uma tour em várias praças, com possibilidade de extensão para outros países. Na volta da viagem, entraríamos em estúdio para trabalhar no novo álbum. Nada disso aconteceu, obviamente. Tivemos que nos adaptar e isso ainda está em curso, fazendo tudo a distância”, conta.

Pensando no futuro pós-coronavírus, o produtor entende que não é possível retomar as coisas de onde pararam. Apesar do otimismo, ele admite que os tempos são outros: “Tem essa necessidade de testar novas coisas, como as lives, e remodelar antigas formas do fazer cultural e artístico, como os drive-ins, as serestas de sacadas, etc. Foi nevrálgico para utilizarmos esse tempo da melhor maneira e ampliar os limites! Muita coisa nesse mundo antes de COVID já era, feliz ou infelizmente. Agora, para onde vamos daqui em diante, nem arrisco dizer, mas espero que para um lugar melhor.”

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