CHICO DUB FALA DO PESO DO NÚMERO DEZ NA COLUNA OUÇA ESSE CONSELHO

OUÇA ESSE CONSELHO é um espaço livre para opiniões, análises, reflexões, desabafos, sugestões e acolhimento. Toda semana, você encontrará aqui textos escritos por membros do Conselho Consultivo da SIM, refletindo a multiplicidade de opiniões e vozes.

 

DEZ

Por Chico Dub

Começo a redigir essas palavras sem a menor ideia do que escrever. Ou melhor: o que eu poderia escrever HOJE, que não seja sobre os 10 anos do Festival Novas Frequências, que começa já já, no dia 01 e vai até o dia 13 de dezembro (inclusive cruzando – e dialogando – com a programação da SIM São Paulo).

Mas é que… Vejam bem… Caramba… 10 anos são 10 anos, poxa! Me perdoem o monotema.

Olha. A única coisa que fiz por 10 anos foi morar num mesmo apartamento – um único deles em 41 verões, é preciso dizer.

Ainda gosto (bastante) de heavy metal. Só que minha fase mais metaleira deve ter durado, sei lá, dos 12 (ou 13) aos 19 (ou 20). Nunca fui bom de matemática, mas essa conta não dá 10 anos.

E o reggae, que é da onde veio primeiro o meu apelido e, depois, meu nome de trabalho? Bom, o auge durou os mesmos 7 ou 8 anos do metal.

Já sobre relacionamentos, nem namoros de 5 anos eu tive (o que espero quebrar com o relacionamento atual – que seja para todo o sempre, aliás).

Às vésperas da estreia do NF, com o festival batendo à porta, relembro que lá no início sonhava (pisciano que sou) que seria muito mais fácil montar um festival com o passar do tempo. Que o nervosismo, a ansiedade, iriam baixar poeira e entrar no sangue, no HD. Como eu era ingênuo (risos)!

Mas é preciso dizer em minha defesa: o Novas Frequências não é um festival comum. Cada ano que passa não é simplesmente uma nova edição. É como se estivéssemos sempre, começando do zero.

O NF não pauta sua programação com os artistas da vez ou da moda. Ou mesmo com quem lançou disco e tá nas principais revistas, sites e jornais. Não é sobre isso. É sobre se reinventar a cada ano buscando um tema central que norteia a programação. É sobre comissionar trabalhos inéditos pros artistas convidados, abraçando o risco, tirando tudo e todos de suas zonas de conforto em busca – sempre – do novo. É sobre desenhar formatos, parcerias, desdobramentos, loucuras que nunca fizemos antes.

Faltando míseros dias para a abertura do Novas Frequências, enquanto parte da cabeça está focada em tudo que gira em torno da estreia, a outra, ansiosa que só, fantasia sobre 2021. Tipo: o que faremos a partir do ano que vem neste novo ciclo que se inicia? Ideias são muitas. Concretudes, nenhuma. Mas se tem alguma coisa certa é que é preciso criar a maior reinvenção de todas. Copio um trecho do meu texto de curadoria desta edição: “não podemos mais atuar como antes. É necessário agir localmente, integrando amplamente os países latinos, criando e fortalecendo redes e circuitos. É preciso colaborar na base do ecossistema da música, deixando de trabalhar somente na ponta da cadeia – o palco – para se posicionar como uma plataforma atuante em todas as esferas. É urgente revisar criticamente o passado, sair do lugar do privilégio e abrir espaço para as perspectivas contra-hegemônicas. Se a música é uma força unificadora, temos a responsabilidade de repensar o que um festival pode ser.”

“Reinvenção”, taí uma das palavras, como não poderia deixar de ser, mais utilizadas em 2020. E sobre essa questão, a SIM São Paulo tá tirando e muita onda com o desenho adotado, com a plataforma anual.

8 anos, né? Calma que já já chegam os 10, Fabbie e equipe. Se preparem, viu? Daí vocês vão entender direitinho o meu monotema!

 

Chico Dub é o diretor e curador do festival Novas Frequências

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