CIÇA PEREIRA FALA SOBRE O MANIFESTO DA SIM SÃO PAULO

Hoje, a partir das 15h, acontece o Meetup MANIFESTO SIM SÃO PAULO, ponto de partida para a concepção de um documento colaborativo que abre uma discussão necessária para implementação de medidas que promovam a inclusão e a igualdade no mercado da música. O meetup será aberto a todos justamente para que opiniões sejam ouvidas e incorporadas.

“O manifesto foi feito com muitas mãos, muitas reflexões, mas ele é um início, hoje apresentaremos um início. Quando a gente fala de muitas pessoas, estamos falando de muitas populações, e esse manifesto se permite aberto para pessoas físicas darem suas sugestões, suas considerações em relação a ele para que de fato ele se torne plural, não fique apenas dentro de uma narrativa de um grupo seleto de pessoas, então ele está aberto para opiniões”, diz Ciça Pereira, que junto a Junior Camargo e a diretora da SIM, Fabiana Batistela, foi uma das pessoas responsáveis pela versão do manifesto que será apresentada e discutida no meetup de hoje.

“A idéia do manifesto surgiu com um incômodo, particularmente meu e de muitas outras pessoas pretas de não se sentirem incluídas no mercado musical, tanto no network quanto nas contratações, principalmente em início de carreira. É muito difícil burlar essas barreiras do mercado”, diz Ciça. “ As pessoas se relacionam sempre com as mesmas pessoas, e às vezes quando pensam em diversidade vem muito mais uma chancela do marketing disso do que realmente ações efetivas. E aí quando a gente fala do manifesto, pensamos de fato em equidade e não trazer pares pontuais para cumprir ali a necessidade de ter pessoas pretas, LGBTQIA+ ou periféricas, mas pensar realmente em ações que modifiquem a estrutura do mercado e que possam combater as violências estruturais que o mercado da música traz hoje, assim como todos os outros mercados. Somos construídos em um país que tem um histórico escravocrata LGBTQIA+fóbico, com uma diferença de classes, uma diferença social muito grande, então o manifesto surge como uma série de diretrizes para que de fato a gente possa cobrar de grandes players do mercado algum posicionamento, e principalmente assistir e priorizar pessoas historicamente vulnerabilizadas”.

Ciça é bastante certeira e incisiva ao falar da pauta proposta pelo manifesto. “Na verdade essa é uma pauta histórica, pensar em diversidade em um país que tem 56% da população preta, com um dos maiores índices de violência em relação a pessoas trans, com uma diferença de classes gigantesca. Infelizmente nosso histórico político esgarçou essa pauta no aspecto de não dar visibilidade. A gente vem de um histórico de negligências de políticas públicas focadas na reparação histórica e políticas públicas que pensem de fato em igualdade e diversidade. Então pensar sobre isso de uma forma equânime é pensar sobre o futuro, e um futuro equilibrado combatendo as desigualdades sociais, porque infelizmente no Brasil nós temos isso muito latente, uma má distribuição de renda, um histórico de racismo estrutural. Alguns pesquisadores norte-americanos inclusive dizem que o Brasil é o país onde o racismo deu certo. Portanto a subjetividade com a qual essa violência foi introjetada, nós temos índices altíssimos de homofobia, transfobia, de assassinato nesse aspecto. Então pensar sobre isso combatendo esse histórico de violência, a naturalização dessa violência, é mais do que atual, é atemporal”, diz Ciça, que completa: “Esse é um manifesto dirigido a todos nós, porque quando a gente se compreende enquanto sociedade, a gente entende que somos interligados, e que a vulnerabilidade de um se reflete nos aspectos de vida de outros, a gente entende que é um manifesto para a sociedade brasileira no geral se se conscientizar, e de alguma forma realmente trazer práticas que possam impactar positivamente o mercado da música, sobretudo incluindo mesmo pessoas pretas, LGBTQIA+, periféricas, imigrantes e todas as populações historicamente marginalizadas para que elas possam protagonizar dentro desse mercado e ter os acessos necessários para isso. A gente sabe que para isso precisamos rever privilégios, os grandes players precisam olhar para isso e absorver essa pauta como prioridade e a intenção desse manifesto é trazer esse incômodo para que a gente consiga modificar as estruturas, nem que seja um pouquinho”.

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