CONHEÇA A LINHA, CURTA BRASILEIRO VENCEDOR DO EMMY

O curta brasileiro A Linha, dirigido pelo cineasta Ricardo Laganaro, foi o grande vencedor do Emmy 2020 na categoria Outstanding Innovation in Interactive Media, em premiação que aconteceu no último dia 17 de setembro. Esse não foi o primeiro prêmio do curta, que já havia levado o prêmio de melhor experiência em VR do Festival de Veneza.

“Para mim, como diretor, é o tipo de reconhecimento que a gente espera a carreira inteira, ganhar esses prêmios mostra que a gente chegou em um ponto que conseguimos fazer algo que se destaca em escala global. Acho que é o que todo diretor almeja. E foi com um projeto que tenho muito carinho, uma história de amor em São Paulo, nos anos 40, com um monte de referências minhas e familiares e histórias de vida. Foi uma das coisas mais gratificantes que eu já tive profissionalmente”, diz o diretor Ricardo Laganaro.

“Eu já tinha feito outros projetos que participaram do circuito internacional de festivais, mas quando a gente ganha Veneza, e agora esse reconhecimento do Emmy, é uma legitimação de que o Brasil é um dos líderes e a gente consegue sim colocar um spotlight em nosso país e mostrar que estamos ajudando a construir esse novo formato, esse novo meio. Estar no Brasil não nos impede de ser um protagonista nesse novo meio, porque não existem grandes players, estúdios e nem uma indústria formada em nenhum lugar do mundo, então a gente consegue fazer daqui algo que se destaca” completa.

O filme conta uma singela história de amor entre dois personagens, Pedro e Rosa, que lutam contra as próprias limitações para viver esse romance em uma maquete de São Paulo dos anos 40.  “É uma história de amor, mas também sobre mudança de rotina, medo de mudanças, algo bem universal. Acho que a segunda camada de compreensão é essa, e esses dois temas fizeram muitas pessoas se identificarem. Normalmente as experiências em realidade virtual têm temáticas muito fortes, muito pesadas, geralmente de cunho social, que são muito interessantes e muito importantes. Mas quando você vê muitos na sequência, acaba desgastando. E o nosso filme, apesar de ter uma leveza, tinha uma profundidade mas em outro tipo de registro, e isso acabou engajando muito. As pessoas não esperam ver uma história de amor em realidade virtual. Embora o assunto seja um clichê, ainda tem pouco em realidade virtual, acho que esse foi o segredo desse molho que a gente criou”, diz Ricardo

O filme começou a ser pensado em 2018 a partir da premissa de fazer uma história imersiva e interativa em que o espectador tivesse que se movimentar e interferir para acompanhar a história, mas sem perder a conexão emocional.

Composta por Ruben Feffer, a trilha foi um elemento fundamental na construção da narrativa. “Queríamos trazer elementos brasileiros com uma cara não caricaturizada, não o samba, a floresta, a praia, o futebol, mas um São Paulo, um Brasil de quem é daqui e vive histórias comuns. Quisemos trazer o chorinho da década de 40, que tem raízes e conversa com a valsa, que a gente também queria trazer da música clássica para momentos distintos do filme. E foi um bate-bola muito legal de descobrir como seria essa composição e como essa trilha iria funcionar de uma forma legal para trazer essa originalidade e a cara de um projeto brasileiro de quem é daqui, não apenas para gringo ver”, explica Ricardo, que também soube traduzir sua experiência em cinema e animação para esse novo formato, com um cuidado extremo com elementos importantes como o desenho de luz, desenho de produção direção de arte para alcançar um resultado estético como poucas vezes se vê em realidade virtual. “Dá pra você ter uma sensação de ter uma história com um visual mais cinemático, mais bem acabado, mesmo que você esteja imerso nessa experiência, algo que você não encontra no mundo físico normal. Tem um pouco do teatro, a gente vai tateando e roubando um pouco de outras formas de arte pra tentar chegar no que é fazer cinema em realidade virtual”, diz ele.  Essa preocupação com o desenvolvimento de uma linguagem é bastante relevante, pois muita gente ainda pensa em realidade virtual como um recurso ligado unicamente aos games. “ A gente sabe que essa é uma nova plataforma de experiências e conteúdo. Como venho do cinema, tenho pesquisando festivais de cinema que já vêm abraçando essa tecnologia e sei que havia uma lacuna grande desse meio do caminho que não é um filme 360, que é mais passiva, mas também não é um jogo. Aqui procuramos uma forma de engajamento em que a pessoa se emocione, não tendo que ganhar, vencer ou não ser derrotado, usamos as ferramentas de game design para criar emoção em favor de uma de história”.

No Brasil, ainda são poucas as pessoas que dispõe do equipamento necessário para uma experiência de realidade virtual, mas Ricardo acha que o aumento no uso dessa tecnologia é algo inevitável: “A gente sabe que precisa continuar produzindo conteúdo daqui e que seja global, para que na hora que esse equipamento for mais acessível, possamos ter conteúdo nacional bom, não apenas conteúdo em inglês e em outras línguas, com outras referências. De alguma forma isso vai chegar ao Brasil em médio ou curto prazo”.

 

 

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