NOISE FOR NOW REÚNE ARTISTAS NA LUTA PELOS DIREITOS REPRODUTIVOS

A ONG americana NOISE FOR NOW realiza um trabalho único em prol do acesso ao aborto legal e da informação sobre direitos reprodutivos. Para isso, conecta músicos, produtores de eventos para financiar organizações de base que trabalham por essas causas.

A idéia da NOISE FOR NOW surgiu depois que a ativista Amelia Bauer participou de uma reunião da Santa Fé NOW (Organização Nacional para Mulheres) na qual surgiu o assunto da arrecadação anual de recursos para um fundo de aborto no Novo México. “Aqui no Novo México somos um porto seguro para o direito ao aborto, mas estamos cercados por estados que têm proibições muito restritivas.A necessidade de viajar pode colocar a atenção ao aborto fora do alcance de muitos americanos e esses recursos podem ajudar a tornar o acesso ao aborto possível, fornecendo viagens, transporte, hospedagem e creche. Fiquei inspirada por esse trabalho e sabia que queria ajudar na arrecadação”, explica Amelia, hoje presidente e CEO da NOISE FOR NOW.

Ela então se mudou de volta ao Novo México, seu estado natal, depois de morar em Nova York por duas décadas, e fez valer seus contatos na indústria musical. “Procurei alguns amigos para me ajudar a organizar um show beneficente e fiquei agradavelmente surpresa com o apoio esmagador à causa”.

O primeiro show organizado por ela para a NOISE FOR NOW aconteceu em 2017 teve em seu line up Bon Iver, TV on the Radio, Tune-Yards, Lower Dens e Heather Trost,  e ainda um show extra com Fleet Foxes e Beach House doando parte da renda. “Arrecadamos US$ 75.000 e compartilhamos a importância do acesso ao aborto com milhares de fãs de música. Além de arrecadar fundos, conectamos membros da audiência a organizações locais que trabalham na área da justiça reprodutiva a fim de formar um apoio comunitário duradouro”, comemora.

Amelia sabe que o trabalho da ONG vai muito além de conectar músicos apaixonados por essa causa às organizações de base que estão fazendo o trabalho local. Hoje, nos EUA, o aborto ainda é um tabu. “Existem tantas ameaças ao acesso ao aborto na América. Embora o aborto seja legal em nível federal, os estados podem impor todas as restrições ao procedimento como proibições que incluem grandes períodos de espera e limites para a realização do aborto até no máximo seis semanas de gestação (antes que a maioria das mulheres saiba que está grávida). Essas proibições afetam desproporcionalmente pessoas não brancas, as que vivem na pobreza e as que moram em áreas rurais. Um direito sem igualdade de acesso não é um direito”.

Apesar de se tratar de um tema ainda polêmico, Amelia avalia que o apoio à causa supera as opiniões contrárias. “Além do debate acalorado e alguns comentários críticos nas redes sociais, não enfrentamos oposição. Também somos uma organização de arrecadação de fundos bastante pequena, então não temos que enfrentar as dificuldades que algumas clínicas de aborto infelizmente enfrentam. Estamos aqui com os artistas com quem trabalhamos para mostrar apoio às organizações que estão na linha de frente. Nosso núcleo é trabalhar com músicos, mas também trabalhamos com um punhado de atores e artistas visuais em nossas campanhas de mídia social”.

Parte do trabalho da ONG é baseado em shows pelo território americano, o que sofreu um enorme impacto com a pandemia do Covid-19. “Como a NOISE FOR NOW ainda é uma organização pequena e, portanto, ágil, fomos capazes de nos adaptar rapidamente”, explica Amelia. “Fizemos alguns eventos com transmissão ao vivo, mas nosso grande sucesso foi com direcionamento para campanhas nas redes sociais”.

 

As campanhas da organização ganharam apoio de artistas como Kim Gordon, (Sonic Youth),  Waxahatchee, Karen O, Cindy Lauper e Kathleen Hanna, que usaram suas redes sociais na divulgação. “Foi uma campanha de camisetas para a Planned Parenthood e uma campanha de máscaras de proteção com a Seeding Sovereignty. É um modelo simples; nossa rede de artistas usa um item customizado (camiseta, máscara, bandana) e faz postagens que falam sobre o trabalho que está sendo feito por várias organizações com as quais temos parceria e que recebem os rendimentos das vendas resultantes. Conseguimos atingir um público mais vasto com essas ações. Mas com toda a honestidade, mal podemos esperar para organizar shows quando for seguro fazê-lo novamente. É uma sensação de grande esperança nos reunirmos em uma multidão e celebrar o trabalho que nossas organizações parceiras estão fazendo”.

Amelia diz que embora a organização opere apenas nos Estados Unidos, o modelo pode ser reproduzido em qualquer outro lugar: “Adoraríamos ver versões do que fazemos aparecendo em todo o mundo. A luta pela Justiça Reprodutiva não é exclusiva deste país. Estamos simplesmente conectando músicos que são apaixonados por esta causa às organizações de base que estão fazendo o trabalho no local.”

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