CONHEÇA A VARIEDADE DOS COLETIVOS MUSICAIS AFRICANOS

Considerado um dos principais festivais africanos, o Nyege Nyege se tornou o maior evento de música eletrônica daquele continente. Criado em 2015, tem uma programação concentrada em artistas da África Oriental, muitos deles afiliados às gravadoras Hakuna Kulala e Nyege Nyege Tapes, esta última criada por Derek Debru, um dos idealizadores do festival, e parte do coletivo que reúne músicos de diversas partes do mundo e já se tornou referência mundial por seu trabalho de divulgação da música africana.

A edição 2020 do festival reuniu artistas de todo o continente, incluindo a colaboração de 45 coletivos africanos sob o tema Unidade Africana é o Futuro.  Cada vez mais comuns em todo o mundo, os coletivos são uma forma de fortalecer o trabalho artístico, aumentar a colaboração, dividir experiências e ser capaz de realizar iniciativas que vão desde a gravação de um disco até a realização de festivais.  Conversamos com Derek Debru e pedimos a ele que falasse sobre o Nyege Nyege e indicasse alguns coletivos africanos com os quais ele tem algum tipo de parceria,  e que deveriam ser mais conhecidos.

“Em Kampala, nosso coletivo se chama Nyege Nyege e opera como uma comunidade de artistas para residências, workshops, gravações, colaborações, etc, principalmente encorajando vozes deixadas de fora da narrativa convencional. No Quênia há uma equipe chamada SHRAP NITE que reúne muitos jovens artistas quenianos em sons mais ‘urbanos’, trap, gengetone, RnB, afrohouse, mas também eletrônica”, diz.

Considerada uma das festas mais vibrantes de Nairobi, eles se definem como uma noite de apresentações de todos os gêneros, de músicos futuros e convencionais, DJs e apresentações de dançarinos e ícones da moda. E apesar da semelhança com uma gíria pouco polida da língua inglesa, nesse caso SHRAP significa Sheng + Rap + Popular Music. Sheng é uma mistura de suaíli, inglês e queniano.

Derek fala também do coletivo Movimento Singeli, da Tanzânia, que representa muitos artistas da música singeli, a principal música daquele país, e que também apoia dois estúdios comunitários, Pamoja Records e Sisso Studios.

“No Zimbábue, trabalhamos com o Festival Jacaranda, que também destaca muitas das novas vozes vindouras através de estúdios, espaços de arte e um festival”, diz Derek. Um dos festivais mais promissores do continente, o festival cresce a cada ano, com um line-up que inclui desde artistas emergentes até grandes nomes da música local.

 

 

Ao falar da Africa do Sul, Derek cita dois coletivos muito interessantes: “Há o Soundz of the South, o coletivo hip hop marxista que defende a mudança social, e o Pussy Party, um coletivo queer sediado em Joanesburgo que também oferece apoio comunitário, workshops e desenvolvimento de artistas”.

Definido como um coletivo anarquista que luta contra o neo-liberalismo, o Soundz of The South luta pela construção de uma contracultura das classes trabalhadoras para lutar contra o sexismo, autoritarismo, racismo e capitalismo.

Já o Pussy Party começou como uma noite em um clube de Johannesburgo. Hoje o coletivo funciona como uma organização que defende a cultura dos clubes, oferecem consultoria e suporte de produção para uma série de eventos e, acima de tudo, defendem e apoiam o poder feminino.

Outros coletivos citados incluem os congoleses KinAct, que promove um festival de performances artísticas coletivas, e a Rinha Crew, do leste do país, que tem trabalhado incansavelmente para promover a dança na região.

 

 

Do Marrocos, Derek cita o Le Boultek, um espaço aberto, bastante elogiado por ele, que nos últimos 20 anos tem dado voz a artistas talentosos, mas desconhecidos, abrangendo gêneros como hip hop, metal e música experimental. Na República dos Camarões tem Modaperf, o coletivo que trabalha principalmente com música e arte performática. Em Burkina Faso há o Baara Music, uma gravadora independente e multicultural especializada em música eletrônica e afro house.

E também o Africa Bass Culture, que também faz um grande trabalho apoiando a cena musical local e possibilitando a criação de pontes internacionais. Do Togo ele cita o Collectif LesChangeurs. “Esse projeto foi iniciado pelo artista hiphop Yao Bobby e tem um espaço seguro para os artistas se encontrarem e apresentarem seus trabalhos”, diz Derek, que encerra lembrando que existem inúmeros coletivos interessantes por toda a África. Para conhecer esses coletivos e outros artistas africanos, dê uma navegada pelo site do festival Nyege Nyege, onde você poderá encontrar muita informação.

Derek Debru participou da edição 2020 da SIM São Paulo, concedendo uma entrevista para o Junin. Para assistir e conhecer um pouco mais de sua história e seus projetos clique aqui.

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