CONHEÇA FRANÇOIS MULEKA, UMA DAS ATRAÇÕES DOS SHOWCASES DA SIM

Selecionado para se apresentar nos showcases oficiais da SIM, François Muleka é uma daquelas pessoas com musicalidade natural. Seus pais, de origem congolesa, atuaram como cantores profissionais em São Paulo, na década de 80. “Frequentei bastante coxias de teatro, camarins, mas nunca tive aspirações de ser músico. Sempre tivemos instrumentos em casa e eu e meus irmãos e irmãs brincávamos de tocar música. Com o tempo isso foi se consolidando como uma prática dentro da família e de repente eu descobri que podia tocar violão”, conta. A primeira vez que subiu ao palco, foi tocando baixo em um show da sua irmã, a também cantora Alpha Petulay.

“O baixo é o instrumento que eu me sinto mais à vontade tocando, uso o baixo que eu ganhei quando tinha 16 anos. Dei a ele o nome de Johnny por conta de uma música da Legião Urbana, que por acaso chama 16”, diz. François diz que embora muita gente não perceba, a Legião e o estilo de composição de Renato Russo têm uma forte influência em seu trabalho, uma mistura que segundo ele inclui música pop internacional, músicas de rádio e muitas trilhas de novelas, que ele sempre ouvia. Outra influência forte, e bastante determinante em seu trabalho, são as músicas congolesas que seus pais trouxeram de seu país de origem em fitas cassette. “São músicas muito específicas, um repertório das décadas de 60 e 70, de rumba congolesa e de um ritmo congolês chamado soukous, tem muita coisa desses ritmos que fazem parte do meu imaginário. Foram muitos jantares, almoços e cafés da manhã ouvindo essas músicas como trilha sonora, não como uma formação musical, mas sim a vida acontecendo. E ter esse background africano muda minha percepção de Africa, por ser um recorte bem específico e também minha percepção do Brasil, de como eu sou visto como brasileiro dentro de uma família africana e como eu imagino ser brasileiro a partir do que eu aprendo, vendo de fora mas sendo de dentro. Isso mexe com a maneira com a qual eu lido com o significado e a forma das palavras”, conta François. “Não sei nem explicar de onde vem isso, é muito natural pra mim tocar música”, diz François, que nos últimos anos aprendeu a tocar inúmeros instrumentos. “Não há mal nenhum em pegar um instrumento e tocar, só pode ser bom, só pode ser divertido, só pode ser um ato de conexão”.

Em 2013, após um disco com a banda Karibu, François lançou seu primeiro disco solo, Feijão e Sonho, e desde então lançou outros dois álbuns: O Limbo da Cor (com Jean Boca em 2014) e Fauno Aflora, em 2015, e ainda dois EPs: Couragem (2019) e Ovo, agora em 2020. Além desses trabalhos, François realizou diversas colaborações, que segundo ele sempre surgiram do afeto e incluem uma participação em um disco de Chico César e os arranjos de violão no disco de estreia da cantora Luedji Luna, Um Corpo no Mundo de 2017.

François disse que nem consegue lembrar direito quando ouviu falar da SIM pela primeira vez, “Muitas pessoas falam sobre a SIM há um bom tempo como um lugar de referência para você estar e mostrar o seu trabalho, conhecer outros artistas, produtores e todo esse bioma da esfera da música, Desde que eu soube da existência da SIM tenho a idéia de ser um lugar para estar”, diz ele,
que neste ano mostra suas músicas dentro da programação dos showcases oficiais. “Minhas expectativas são as melhores, espero ver e ser visto, me divertir com isso, apresentando todo o conteúdo que tenho para mostrar nessa vivencia de arte. Sei como é importante para essa sociedade ver que, para além do que ela faz com os corpos que a habitam, esses corpos são dotados de vontade, de ânimo, de alma, e essa alma move e move para lugares que ninguém pode prever, esse é o meu barato” diz François.

Quando perguntado sobre planos futuros, a resposta vem fácil: “Meu plano é permanecer vivo, e usufruir disso de uma maneira muito gostosa, prazeirosa, útil, e bonita, e me perguntar constantemente o que é ser feliz. Esses são meus planos algo difícil na sociedade que a gente está, pertence e compõe, por motivos que seriam cansativos começar a destrinchar, mas tem legenda, e está em negrito”.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Categorias:

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Linda matéria sobre François Muleka. Estamos felizes em participar da SIM que sempre apresenta discussões importantes para a música no mundo.

+ SIM NEWS

pt_BRPortuguês do Brasil