CONHEÇA RAFAEU, AUTOR DA TRILHA DA VINHETA DA SIM 2020

Logo no início da conversa com Rafaeu, fica clara a importância da música em sua vida. A forma afetuosa com a qual ele fala sobre seu trabalho e sua história não deixam nenhuma dúvida sobre isso. A única questão era mesmo a pronúncia de seu nome. “Essa é uma boa pergunta, vejo as pessoas me chamando de ‘Rafaêu’, já pensei até em colocar um acento ali”, diverte-se ao explicar que a pronúncia é a mesma do nome Rafael.
Com uma apresentação programada para os showcases oficias da SIM, Rafaeu teve uma de suas músicas, Saramandaia, escolhida para ser a trilha da vinheta do evento. “Ter a música na SIM é muito gratificante. Esse ano de 2020 pensei em divulgar minha música de forma totalmente orgânica e ver que foi escolhida como tema… eu não acreditei. Na real só vai cair minha ficha quando estiver me apresentando nos showcases. É algo que eu não esperava para esse começo, e isso me dá mais forças para acreditar em meu potencial, tenho que agradecer a cada pessoa responsável por isso, estou nas nuvens”, diz ele.
Desde pequeno, Rafaeu tem uma relação estreita com a música e a arte, e lembra de, ainda criança, ouvir músicas de Fagner, Zé Ramalho, Elba, Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano, Jorge Vercilo, e muitos outros que acabaram sendo parte da influência em seu trabalho. “Mesmo criança, a música me levava para lugares de minha mente que eu não costumava ir e querendo ou não era uma expressão de liberdade, era uma calma com a qual eu me identificava muito, mas não sabia como prosseguir”.
Nascido em São Paulo, Rafaeu passou parte da infância em Fortaleza, e fala com carinho de sua mãe, que sempre estimulou seu contato com o ambiente cultural. Minhas primeiras lembranças musicais vem de lá, tudo muito nordestino, todo meu universo começa lá. Eu ia muito a teatros, no Centro Dragão do Mar, Casa de José de Alencar, e assistia muitos musicais que na época eram gratuitos, foi bem no começo do governo Lula, então tinha muita cultura gratuita para crianças, e isso fez bastante diferença na minha vida, eu tinha por volta de cinco anos, mas é muito marcante, não tem como esquecer”.

Aos nove anos, Rafaeu voltou a morar em São Paulo, e demorou um tempo até que voltasse a frequentar esse tipo de espaço. “São Paulo tem aquela coisa de cidade grande, frieza, distância, e eu fui me reaproximar dos polos culturais apenas no final do ensino médio, quando então reavivou tudo em mim, o teatro, a expressão, a música e o teatro musical, que é algo que me cativa muito”, conta ele. Na mesma época ele conheceu o centro cultural Judith, no centro de São Paulo, onde conheceu pessoas determinantes em sua vida. “A casa Judith, um coletivo LGBT, que infelizmente acabou, mas era fundamental, um espaço cultural onde as pessoas podiam se expressar, era uma junção de artistas, um polo da arte”, conta. “Ali eu conheci a Linn da Quebrada, Liniker e a Jup do Bairro, , que me ajudou a me soltar enquanto pessoa não binária. A sociedade me deixou preso dentro de uma normatividade absurda e nesse lugar senti que eu poderia ser eu mesmo”, diz Rafaeu, que conta que lá também conheceu uma pessoa muito importante em sua formação, a atriz e cantora Ayiosha Avelar: “Ela me ensinou tudo o que eu sei hoje, desde cantar, performar, me expressar no palco e atuar. Ela foi essa ponte entre o acordar do meu corpo e do meu espírito”
A procura da expressão artística sempre foi um desejo de Rafaeu, que então criou o canal Ubuntu, no YouTube, para o qual criou uma série de curtas misturando poesia e conteúdo audiovisual. Mas aquilo não foi suficiente, e em 2017 ele lança sua primeira música, Migué, ainda sob o pseudônimo Rastro. Um ano depois em 2018, já com o trabalho mais amadurecido, Rafaeu grava seu primeiro EP, Ato, que segundo ele pode ser dividido em três partes: A primeira, composta pelas faixas Bica e Abacateiro, fala sobre o passado, as influências, o segundo, com a faixa Saramandaia, faz uma referência à novela de Dias Gomes ao mesmo tempo que celebra a comunhão e descontração. E a terceira, com as faixas Ação e Me Tema, traz um discurso mais direto e seco. “O Ato é um trabalho que expressa o que eu vivi na faculdade, é visceral, é radical, é enfrentar o sistema de frente, trazendo aquela sensação de mudar o mundo, o Ato simboliza isso”, diz Rafaeu.
E é justamente esse espírito que ele pretende trazer para a sua apresentação nos showcases oficiais da SIM: “O show vai ser um ato, literalmente. Não sei nem como explicar, talvez eu nem queira abrir muito. Vou apresentar meu trabalho e mostrar para as pessoas do que sou capaz. Será uma apresentação muito política”.
A apresentação nos showcases oficiais da SIM será também o show de lançamento do EP: “Eu estava com algumas datas programadas, iria me apresentar no Teatro do Centro da Terra e tinha planos de me fazer shows nas Fábricas de Cultura da zona leste. Eu ia fazer esse caminho entre o gratuito para a minha comunidade, meu povo, e o pago para a galera que consome o meu tipo de arte”, diz. Rafaeu também anunciou que no mesmo dia de sua apresentação, estará lançando seu primeiro clipe, da música Abacateiro.

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