COY FREITAS FALA SOBRE O FUTURO NA COLUNA OUÇA ESSE CONSELHO

OUÇA ESSE CONSELHO é um espaço livre para opiniões, análises, reflexões, desabafos, sugestões e acolhimento. Toda semana, você encontrará aqui textos escritos por membros do Conselho Consultivo da SIM, refletindo a multiplicidade de opiniões e vozes.

O FUTURO NÃO EXISTE – SÓ EXISTE O AQUI E O AGORA

Por Coy Freitas

“Zona de Conforto”

A Pandemia chegou detonando o lifestyle descolado, destemido e empoderado dos jovens, os cronológicos e também aqueles “jovens há mais tempo”.

Era só andar por aí, nos shows, clubes, bares e festivais de música em todo o país para perceber que de alguma forma, apesar de ainda existir um caminho enorme para percorrer em termos de evolução humana, social, econômica, ambiental e em quase todas as áreas, nós temos que admitir que ser jovem nos últimos anos era um privilégio. Muita opção, muita diversidade, e muita coragem daqueles que provocaram tantas mudanças. Ao mesmo tempo, um convite para se perder na ilusão e entrar em zonas de conforto inconsistentes e de valores questionáveis.

Parecia que tava todo mundo olhando pra fora, para a grama do vizinho. Tava todo mundo precisando ter para pertencer, e mostrar para se autoafirmar.

Então, vem a Pandemia e aperta o “pause” planetário. É tempo de regeneração.Tempo de olhar para dentro e perceber as maiores riquezas escondidas nas profundezas da alma.  Na vastidão oceânica da existência, fomos convidados a mergulhar, a encontrar o nosso conforto na solitude. Tempo de se autoconhecer, se auto-observar, se autocuidar. Para que se possa cuidar daqueles que você ama, é preciso estar bem, saudável e em paz. Também entendemos que não estamos aqui no Planeta Terra (de passagem), nós somos o Planeta Terra e a Covid também, assim como tantos outros vírus e bactérias. E para estar bem, de verdade, precisamos cuidar do nosso planeta. A Terra nos mostrou que quando ela chama, nós temos que atendê-la. Estamos em tempo de aprender novos códigos de comportamento e comunicação. Tempo de buscar significado… de sair da zona de conforto e encarar a realidade.

Mas a retração, o mergulho interior é muito difícil. E quando não temos escolha, ele se torna ainda mais complicado. Tem que ter coragem, tem que ter fé, esperança. Não existe uma única forma, um único caminho, cada um precisa encontrar suas ferramentas, encher a mochila e encarar a trilha.

Carl Sagan dizia: “somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”. E esta pandemia fez com que muitos, mas muitos mesmo buscassem na espiritualidade o conforto e a segurança. Um baita salto para a humanidade, pelo menos uma baita oportunidade para este salto tão necessário.

“Maya – a ilusão”

Claro, tem muita gente que não entendeu nada, que não quis e vai continuar não querendo entender o recado. Gente que vai continuar vibrando na escassez, na manipulação, no egoísmo ilusório, no consumismo… as pessoas que buscam se orientar pela visão materialista, competitiva, julgadora. Pelo EGO, pelo poder, pela nova concepção de influência. Bando de caretas, retrógados, reacionários. São pessoas que não vão encontrar a felicidade e a plenitude, mas que vão exibir marcas, máquinas e selfies para que as outras pessoas como elas acreditem na projeção da imagem, do fake. Assim, todos, na ilusão, vão tomar remedinhos para dormir, remedinhos para trabalhar, para focar, para esquecer, remedinhos para tudo. Essas são as pessoas que só ligam para as imagens que construíram de si mesmas e que vão continuar evitando levantar o tapete existencial, que não querem ver suas sombras, suas fraquezas e vulnerabilidades. Essas pessoas vivem no futuro, na ansiedade, nas frustrações do seu próprio consumismo e de tudo aquilo que ainda precisam adquirir. São aqueles que querem comprar o que não precisam, com o dinheiro que não tem, para impressionar quem não conhecem. São essas pessoas que se frustram, rompem com o caminho para o futuro e acabam jogando suas âncoras no passado, onde encontram a depressão. Tem dificuldade de lidar com suas vidas, se anestesiam para escapar, e estão presos na dualidade. A depressão é uma doença enorme dos nossos tempos, uma situação globalizada que também se perde nos territórios de Maya. Um caso de saúde global…seríssimo, um dos mais graves de nossos tempos.

Essa turma que não se abriu pra enxergar as mudanças tão necessárias, são as pessoas que buscam as definições para tudo, (definições-definitivas rsrs). Mas lembre-se que aquilo que te define te limita…

“Despertar da consciência”

Mas também tem um número maior de pessoas que estão despertando deste sono induzido e que estão começando a perceber os copos “meio-cheios”.

São esses seres humanos que estão entendendo a mensagem.  E que estão se preparando para se juntar aos guerreiros do amor e da luz.  São essas pessoas que poderão dar os exemplos. São essas pessoas que vão inspirar a força e a coragem para que mais e mais despertem e resolvam mudar.  Ninguém vai mudar o mundo sozinho, você muda a si próprio, se cura, e cuida para que seu círculo de relações encontre as forças e as ferramentas para suas próprias mudanças, e daí quando suas relações conseguem se curar, esse grupo se expande e pode ajudar cada vez mais gente a mudar.

Uma boa oportunidade de se curar, é entender que o passado já foi, já era!  E que o futuro não existe. Só existe o aqui e o agora.  E no aqui e agora temos que estar em estado de presença, com os níveis de atenção super elevados e totalmente conectados. Precisamos disso para entender que vivemos num mundo em que há abundância e que existe um flow pulsante, criativo que está em movimentação constante. Quando estamos em estado de presença, atentos, temos condições de sentir que este flow nos convoca, para entrar, colaborar com nossos talentos, entregar nossas realizações e confiar que seremos chamados de volta para um ciclo virtuoso de colaboração e prosperidade. Com a visão da abundância, não precisaremos mais sentir medo, não precisaremos mais achar que não podemos dividir aquilo que conquistamos. Certeza que podemos pois nunca nos faltará nada. Com a visão da abundância, teremos condições de servir ao bem comum e não mais viver para guardar aquilo que nem sabemos se um dia vamos usar.

Vamos dar valor à vida, essa preciosidade. Vamos sentir e cada vez mais viver em gratidão por essa oportunidade única. Vamos também nos harmonizar com a morte, quebrando o tabu existencial. A forma mais eficaz de se harmonizar com a morte é viver o presente, é se manter consciente que só existe o aqui e o agora. E com esta consciência, podemos escolher sempre a nossa melhor versão, não deixar para depois, para que sejamos competentes com nossas escolhas, visando o bem comum e não apenas os benefícios individuais, afinal, compartilhar é uma fonte de imensa alegria. Sendo nossas melhores versões e sustentando nossas melhores versões, quando chegar a hora, e ela vai chegar, estaremos tranquilos e com a sensação de missão cumprida. Também precisamos nos atentar para a lei do karma.  Implacável e soberana. Karma é ação. E temos que agir com responsabilidade, afinal, para sustentar nossa melhor versão, precisamos estar presentes, escolher corretamente e agir com consciência. É a “ação que gera a motivação”, quanto mais nossas atitudes forem pautadas pela generosidade, paciência, ética, delicadeza, mais vamos conseguir emanar formas-pensamento positivas que se materializam nas frequências sutis e com isso, poderão ser captadas pelo inconsciente coletivo. Assim, vamos espalhando a consciência da abundância e do amor, e o mundo se transforma. E não podemos esquecer da lei da impermanência, que nos traz consciência de que tudo está em constante mudança, que nada é igual ao que era minutos atrás. Tudo está se transformando, ou como o verso diz: “tudo muda o tempo todo no mundo”. O que isso nos ensina? isso aponta para o desapego. Afinal, se apegar e interromper o flow, é se apropriar de algo que já não existe mais daquele jeito que era quando o encontramos. Esta “paralisação” do flow é que gera a contaminação da energia e a interrupção do nosso estado de presença. Então, vamos entrar, colaborar, entregar e voltar para nosso estado de relaxamento com a atenção plena para quando fomos chamados de volta. Estarmos prontos para co-criar nossas realidades.

Se nos esforçarmos para atingir este estado de presença, consciência e atenção, poderemos atender os chamados e de alguma forma, com humildade, nos tornarmos “agentes de mudança e transformação”.

“O Caminho”

Essa transformação pode começar pela escuta, o primeiro passo da comunicação espiritual. Temos que nos interessar pelas pessoas, temos que cuidar uns dos outros, a pandemia nos obriga a andar de máscara para que o risco de espalharmos o vírus diminua caso estejamos infectados. Esta escuta é uma forma linda e humana de dar aos outros a chance de se expressar. Quando ouvimos, a dor do outro é imediatamente aliviada. Quando ouvimos, estamos cuidando. Quando cuidamos, estamos sendo cuidados.

Se conseguimos ouvir, poderemos desenvolver a compaixão, palavra que emergiu ainda mais nesses tempos que estamos vivendo. Mas o que seria a compaixão? Gosto muito da expressão Para Dukha Dukhi – que significa “ o seu sofrimento é o meu sofrimento” – e Para Sukha Sukhi que signfica que “a sua alegria é a minha alegria”. É quando nos tiramos do centro e realmente colocamos o outro no foco das atenções, é quando compartilhamos o sentimento.  Precisamos desenvolver a compaixão  e claro, a empatia é parte desse processo.

Aí poderemos desenvolver o afeto. Afeição.  A única verdade é o amor, a única solução é o amor, a única resposta é o amor. E o amor vai nos preencher, nos curar, nos purificar, nos fortalecer e nos elevar.

Então, vamos nos concentrar no aqui agora, escolher a nossa melhor versão, colaborar, compartilhar, desapegar, entregar, confiar e amar muito. E agradecer. Amar a tudo e a todos pois somos abundantes, criativos, resilientes, inteligentes e extremamente diversos e essa é a riqueza. Identificar as complementaridades e exercer a reciprocidade.

Vamos honrar os mestres do caminho e ensinar os mais jovens. Vamos manter o ciclo vivo.

E vamos lembrar sempre que a verdadeira riqueza está em nossos paraísos interiores. A alegria é uma escolha, independente das duras lições que a vida nos dá, e que nos faz sofrer e consequentemente aprender, que podemos escolher a alegria. E ganharemos as chaves dos portais para caminharmos juntos o caminho da beleza das nossas vidas.

Coy Freitas,  que hoje está à frente da Twitch no Brasil, desenvolveu projetos importantes como o Skol Music, Nokia Trends, Motomix, Sonár Brasil, foi o criador do festival Planeta Terra, dono de casas noturnas, DJ, curador e Diretor Artístico.

 

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