DANI RODRIGUES COMENTA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO E REPRESENTATIVIDADE

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No vigésimo segundo capítulo, entrevistamos Dani Rodrigues, parte do Conselho Consultivo da SIM São Paulo.

“Eu costumo dizer que a música me escolheu,” conta Dani Rodrigues logo de cara. Ela está à frente da Foco na Missão, que é agência, editora musical, selo, editora de livros e empresa no segmento de merchandising e responsável pela carreira do rapper Rashid. Quando começou a frequentar a Rinha dos MCs em São Paulo, lá em 2007, e se apaixonou por aquela atmosfera, Dani não imaginava que assumiria tantas funções e conheceria de perto tantas etapas da cadeia de criação e produção do mercado de música.

“Isso foi em 2007 e, um tempo depois, já estava bem próxima do Rashid, Emicida e Projota. Participei da Na Humilde Crew, coletivo que eles formaram por volta de 2008, para trabalharem juntos e viabilizarem as carreiras deles dentro da música. No final do ano seguinte, sem ter certeza do que estava fazendo, fiz a produção executiva (mas não sabia que era isso, só estava ajudando ele a organizar) do primeiro EP do Rashid, o Hora de Acordar, que foi lançado em 2010”, relembra.

Dois anos depois, Dani deixou seu emprego formal para seguir de vez carreira na música. 2012 foi movimentado para a produtora, que participou da realização da turnê “Os Três Temores”, com Rashid, Emicida e Projota, projeto que define como sua faculdade de produção. “Também foi o ano que o Rashid lançou a mixtape Que Assim Seja, que fincou realmente o nome dele no mercado do rap, então fomos nos profissionalizando e aumentando a equipe conforme a necessidade, fui aprendendo tudo aos tropeços enquanto a carreira do Rashid crescia a passos largos”.

A Foco na Missão nasceu e cresceu de acordo com as necessidades da carreira de Rashid, que ia se expandindo consistentemente, e Dani foi se adaptando e evoluindo como profissional ao longo deste processo. Hoje em dia, outras pessoas e empresas colaboram com a agência mas tudo passa pelo olhar atento da produtora: “Queríamos fazer tudo sozinhos, mas fomos percebendo as limitações. Então hoje, por exemplo, a nossa editora é administrada por uma editora major, o nosso selo é licenciado para uma gravadora major, temos uma agência parceira que faz o planejamento do digital e o executa em conjunto com a pessoa que faz isso internamente, etc. Eu hoje sou o elo entre todas essas áreas e cuido mais da parte estratégica e de gestão mesmo”.

Frequentadora da SIM há alguns anos e conselheira desde 2019, ela revela que a convenção acompanhou seu progresso profissional: “Quando comecei a frequentar, eu era muito inexperiente para o mercado que me era apresentado ali, assim como não conhecia as pessoas que circulavam. Mas o tempo, a experiência, as trocas e tudo mais que aconteciam no meu dia a dia, somado ao que via e conversava na SIM, foram abrindo muitas janelinhas na minha cabeça de o quanto trabalhar com música envolvia muito mais coisas do que eu estava fazendo até então”. Além dos encontros e debates promovidos pelo evento, Dani destaca justamente o poder da SIM São Paulo como um lugar de formação para aqueles que estão começando no mercado.

Dos anos 90 para cá, o rap brasileiro ganhou notoriedade e colocou o dedo em diversas feridas abertas de nossa história. O gênero chegou às rádios, às paradas de sucesso e aos palcos dos principais festivais de música do país apesar dos obstáculos impostos pelo racismo sistêmico e a desigualdade social. “Eu vejo isso de maneira positiva e acho que tem tudo para continuar se expandindo, a geração anterior continua trabalhando e sendo muito relevante, a geração do Rashid (que é onde atuo) ajudou e vem ajudando a pavimentar esse caminho de forma cada vez mais forte e organizada, e a nova geração está chegando ainda mais estruturada, já que estão chegando quando tudo isso é, de fato, um mercado rentável”, observa a produtora.

Pensando nessa movimentação e também no avanço dos movimentos feministas e LGBTQ+, a conselheira enxerga uma transformação favorável no mercado mas destaca a necessidade de que as mudança sejam mais profundas: “É importante que o mercado não faça isso apenas para cumprir tabela, a Bozoma Saint-John (head de marketing da Netflix) disse em um painel uma frase que exemplifica bem isso: ‘Diversidade é convidar para a festa, inclusão é chamar para dançar’. Não basta que tenham mulheres e/ou pessoas negras e/ou pessoas LGBTQI+ nessas empresas, elas precisam estar presentes e ter voz ativa na tomada de decisão também”, reforça.

Muito antes da pandemia, Dani e a Foco na Missão já estavam trabalhando o ambiente virtual com criatividade para promover a música de Rashid . A estratégia de lançamento do disco Tão Real, que contou até com um seriado online e foi indicado ao Prêmio SIM na categoria Inovação, é prova disso. “Estamos na era da internet e precisamos estar presentes no imaginário das pessoas que estão pré dispostas a ouvir nossa música, afinal de contas, com ou sem pandemia, mais de 40 mil músicas são lançadas todos os dias,” comenta.

A suspensão das atividades ao vivo, entretanto, fez com que o foco se voltasse completamente para a produção de conteúdos online: “O fato do show de rap ser basicamente voz e instrumental, nos ajudava a realizar os shows sem quebrar os protocolos básicos de saúde. Paralelo a isso, o Rashid já estava uma vez por semana fazendo um papo com os fãs no Instagram, tocando uns sons que ele gosta de ouvir enquanto conversava com os fãs. Então, quando o Fióti veio conversar com a gente sobre o canal da Lab Fantasma na Twitch, não pensamos duas vezes.”

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