DATA SIM, SateliteLAT e música ao vivo: a importância de dados e redes

Foto: Hannah Carvalho
Texto por Dani Ribas

A SIM São Paulo é daquelas experiências que a gente demora pra se recuperar. Porque é tudo de uma vez: muita música, muitas atividades profissionais, muita gente, muitos encontros, muitas emoções, muitas ideias. Muito tudo. Uma verdadeira maratona. E muito trabalho, claro.

Nesta sétima a edição em 2019 – que é minha quinta como Conselheira – meu destaque pessoal vai para as Conferências. Não apenas porque ajudei a formatá-las, mas principalmente porque elas refletem as tendências do mercado musical. Num mercado em constante mutação é fundamental atualizar-se com os conteúdos trazidos pelos profissionais mais influentes do mercado, que foram convidados tanto por sua experiência na área como por suas atuações inovadoras. E todos precisamos nos manter atualizados, desde os iniciantes até os mais experientes.

Este ano participei de 14 conferências e festivais ao redor do mundo: SXSW/EUA; MIL/Portugal; Music Cities/China; FIMPRO/México; MAPAS/Canárias-Espanha; MMVV/Espanha; FiraB!/Espanha; Circulart/Colômbia; além dos brasileiros FIMS/Curitiba; CoMA/Brasília; MARTE/Ouro Preto; HackTown/S. Rita do Sapucaí; Morrostock/Porto Alegre; Coquetel Molotov/Recife. Ufa! Posso dizer que estou atenta a tudo o que está acontecendo no universo das feiras. E a SIM São Paulo é a mais completa delas, sendo menor em tamanho apenas que o SXSW – que além da música abrange conteúdos em educação e games.

A SIM São Paulo tem cumprido ao longo dos anos este importante papel: o de trazer para o Brasil as tendências desse mercado radicalmente reconfigurado pelo universo digital e absolutamente pulsante no setor ao vivo. E uma dessas tendências sem dúvida é o wellness ou saúde mental, tema já bastante forte lá fora e que começa a ser discutido no Brasil. Outro tema que vai bombar é o uso de dados para a compreensão dos públicos – e estou nisso de cabeça desde já.

Eu queria ter visto todos os painéis, pois todos me interessavam. Absolutamente todos. Consegui ver apenas aqueles que eram indispensáveis, e já me senti abastecida de novos conteúdos e tendências. Depois desta edição, tenho absoluta confiança para falar: a SIM é a maior feira de música da América Latina, e está up-to-date no quesito conteúdos.

Este ano o DATA SIM apresentou duas pesquisas novas: Mulheres na Indústria da Música no Brasil: obstáculos, oportunidades e perspectivas; e Impacto Econômico e Sociocultural da SIM São Paulo 2018. Trabalho feito por mim, Fabbie Batistela e Renata Gomes com muita consciência da responsabilidade que temos diante da situação do país, e acompanhado por um público que cada vez mais se interessa por pesquisas e as usa para defender a cultura. Alegria demais em ver cheia a sala de quase 300 lugares durante a apresentação da pesquisa sobre participação feminina no mercado! Em breve ambas as pesquisas estarão disponíveis no site do DATA SIM para download. Vamos noticiar em nossa Newsletter quando estiver disponível.

Destaco também a atividade do SateliteLAT de Mulheres da Indústria da Música na América Latina. Numa ação coordenada entre 20 países, o SateliteLAT busca uma mudança cultural que seja capaz de desnaturalizar práticas associadas à discriminação por gênero instaladas nas práticas da indústria cultural latinoamericana. O objetivo é fazer com que em 2020 os principais Festivais e eventos musicais do continente já tenham adotado ações capazes de ampliar a participação feminina neste mercado, tanto no âmbito criativo como nas diversas instâncias operacionais, técnicas e decisórias. O SateliteLAT oferece serviços de diagnóstico e planos de ação para que os Festivais atuem nessa área. Na reunião realizada na SIM com convidados de diversos festivais, o SatéliteLAT mostrou que está amadurecendo suas redes entre os 20 países da América Latina, e também que este é um tema que já não pode ser visto apenas como assunto de mulheres – a construção de um mercado mais justo é responsabilidade de todos nós.

O emocionante Prêmio SIM também demonstrou a importância da participação feminina no mercado. A escolha dos 9 indicados pelo Conselho (sob a batuta da Fabbie Batistela) não é fácil. São muitas as iniciativas interessantes e que merecem visibilidade. As discussões ao longo do ano e o grand finale no sábado vão configurando o Prêmio SIM, que já conta com três edições, como um campo de reflexão sobre o mercado musical. Neste ano os projetos premiados nas três categorias escolhidos pelo público da SIM foram iniciativas lideradas por mulheres. E além disso, a categoria Contribuição à Música (indicada pelo Conselho) também premiou uma iniciativa conduzida por uma mulher: o Circo Voador, liderado por Juçá. Seu discurso emocionou o público e resumiu o que é a resistência cultural no país.

Premiar um local de música ao vivo é totalmente coerente com a atuação da SIM, que vem discutindo o setor ao vivo há anos nas conferências. Não à toa a primeira pesquisa do DATA SIM foi sobre espaços de música ao vivo da cidade de São Paulo, pois entendemos que uma cena musical forte só se constrói a partir da música executada presencialmente junto ao seu público.

E de todas as 479 performances ao vivo que aconteceram na SIM destaco a do Bloco da Laje, durante a Festa de Abertura. Numa espécie de genealogia do samba e do carnaval – talvez o elemento mais central em nossa cultura – eles nos mostraram que a crítica política pode sim ser cantada. E que ela é ainda mais potente quando a elaboramos conjuntamente durante os momentos de festa e celebração, pois é nesses momentos que reformulamos nossos sentidos comuns de sociedade e que reconstruímos nossos imaginários e narrativas sobre nós mesmos. Sim, distraídos venceremos. A Festa de Encerramento para 6 mil pessoas com Emicida no Palco da Luz aberto ao público também foi um destaque, pois nunca havia sido feito um show nesse formato nas 6 edições anteriores da SIM.

E como mulher dos números (#lalo) que sou, não poderia deixar de trazer alguns sobre a SIM 2019. Foram:

  • 30 showcases diurnos
  • 2785 propostas recebidas para seleção (1492 de 26 estados brasileiras e 1293 internacionais de 37 países)
  • 48 palcos espalhados pela cidade
  • 95 eventos/festas noturnas (que trouxeram 424 apresentações)
  • 479 apresentações no evento todo
  • 458 artistas do Brasil e do mundo
  • 91 painéis
  • 198 palestrantes
  • 3500 credenciados (de 21 países e 24 estados brasileiros)

Faço ainda uma menção especial ao Conselho da SIM, grupo de pessoas incríveis e competentes com quem eu aprendo muito o tempo todo. Também à toda a incansável equipe de produção da SIM.

Fabbie Batistela, Diretora Geral, não esteve na SIM este ano porque trouxe ao mundo o pequeno e amado Luiz. A Revista da SIM, distribuída para os credenciados, anunciou que Luiz estava chegando. Isso nos colocou um desafio extra para a realização do evento. Mas por outro lado isso colocou a energia criadora feminina da SIM ainda mais em evidência, mais necessária para construirmos o futuro da música. É como Fabbie escreveu: “Não há projeto no mercado da música que sobreviva sem vínculos de amor, de colaboração, sem que um entorno solidário seja criado. Não existe sobreviver sozinho na sociedade e na indústria musical”.

#TeVejoNaSIM2020

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Categorias:

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+ SIM NEWS

pt_BRPortuguês do Brasil
en_USEnglish pt_BRPortuguês do Brasil