EDGAR: “O lugar da música na luta contra opressões é no alto falante”

A SIM São Paulo catalisa encontros: profissionais de diversas áreas do mercado frequentam a feira e expandem seus horizontes e conexões. A série Humans of SIM traz histórias de pessoas que comparecem e aproveitam o melhor da SIM. O episódio desta semana é sobre o rapper e compositor Edgar.

Conhecido pelo som carregado de sintetizadores, rimas ácidas e estética única, que ganha proporções ainda mais interessantes quando trazidas para o ao vivo, Edgar começou a fazer música ainda aos 16 anos. Natural de Guarulhos (SP), o artista conta que participou de rodas de freestyle e batalhas de MCs no centro da cidade, além de oficinas de dança e percussão. Em 2012, lançou seu primeiro trabalho, Estrela Morta. Outros três álbuns vieram depois e Ultrassom (2018), produzido por Pupillo (Nação Zumbi), é o mais recente deles.

Edgar se fez conhecido, principalmente, por sua capacidade de absorver referências (sonoras, literárias e visuais) vindas de lugares completamente diferentes e condensá-las em sua arte. A linguagem da internet (os memes, virais, etc.) também está muito presente no trabalho psicodélico do rapper, que trouxe tudo isso à vida de maneira inédita em sua live no YouTube. “Gosto de observar o que está sendo feito e apontar para uma outra direção, minha live representa isso. O processo veio da proposta de live + entrevista do projeto Bolando Música, do ABC Paulista. A direção artística da apresentação foi totalmente pensada nas produções que eu acabei gerando durante esse período de quarentena, uma nostalgia dos programas da MTV com um humor ácido e crítico sobre a precariedade de fazer arte no Brasil”, comenta.

Sua passagem pela SIM São Paulo em 2018 foi um pequeno furacão. Além de se apresentar nos showcases diurnos, ele também levou, junto de Luedji Luna, o prêmio de revelação do ano. Em suas palavras, a abertura ao mercado internacional que acontece na SIM foi foi uma experiência motivadora: “Uma abertura ao mercado internacional não só como extração de produto, mas também como consumidor. A importância de comparecer em eventos como estes é a expansão num catálogo de artistas e tecnologias do mundo da musica mais próximos de você.”

Em sua música mais recente, “Carro de Boy”, parceria com Rico Dalasam, Edgar canta sobre racismo e privilégio de classe com irreverência, fazendo do humor e da música bons aliados na hora de falar de algo que tira vidas em comunidades pelo Brasil. Para ele, essa é uma das funções da música. “O lugar da música na luta contra as opressões é no alto falante, na caixa de som com o volume no máximo, é a trilha sonora para dar energia nas passeatas, nas manifestações ou em confronto com policiais. É  amplificação do jornalismo informativo, o lugar da música é no meio do povo”, afirma.

Sobre os desafios do momento atual, Edgar manda um print certeiro: “A impressão que fica é que vivemos um grande filme ruim de ficção científica, no qual se misturam dois protagonistas: a Covid-19 e o fascismo. O que espero do futuro é que ele não repita o passado”.

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