EL REMOLÓN, PIONEIRO DA CUMBIA ELETRONICA, TOCA NOS SHOWCASES DA SIM

A SIM São Paulo sempre promoveu conexões com a América Latina. Desde 2015 a Argentina se tornou uma das principais parceiras, organizando missões oficiais apoiadas pelo Ministério da Cultura e seu Consulado. E pelo terceiro ano consecutivo, a SIM São Paulo mantém uma colaboração com o Instituto Nacional de La Música (INAMU), para estimular ainda mais a presença argentina na programação dos showcases. Criado em 2013, o INAMU é uma organização pública, não estatal, de desenvolvimento da música na Argentina, criado para melhorar as condições de produção, circulação e difusão de artistas no país e se tornou uma referência no apoio aos músicos e na profissionalização de novos talentos.

Na edição de 2020 dois artistas argentinos foram selecionados para se apresentar nos showcases da SIM, LXS Família e El Remolón, músico e produtor e um dos pioneiros da Cumbia eletrônica, que conversou com a gente sobre sua carreira e as expectativas para a apresentação.

El Remolón é o alter ego do músico Andrés Schteingart, cujo interesse por música vem dede muito cedo. “Comecei criança, tocando piano e violão. Sempre fui apaixonado por tecnologia e tinha um computador em casa quando isso era uma raridade. Comecei a produzir música de forma intuitiva e autodidata aos 18 anos e depois, aos 24, comecei a me aventurar no mundo da eletrônica, tocando como DJ ”, conta ele.

Em pouco tempo ele começou a produzir techno e música minimal e, algum tempo depois, começou a procurar novas sonoridades, promovendo uma mistura com outros estilos como a cumbia e reggaetón. Essa experiência de releitura da música latinoamericana acabou dando início a um movimento musical que hoje já está em sua terceira geração.

Músico respeitado, El Remolón se tornou um dos pioneiros da Cumbia digital, ritmo que, segundo ele, teve suas origens em 2006, em festas chamadas Zizek Urban Beats Club, onde vários estilos musicais se fundiam e a mistura da umbia com música eletrônica era destaque. “O som era revolucionário porque trazia outras velocidades, outras mensagens e outra estética à que estávamos acostumados na eletrônica. Menos solenidade, cor, humor, diversão, algo mais latino, com seu calor e suor”, explica. Essas festas deram início a um selo, o ZZK Records, que promoveu o estilo por todo o mundo. “ A cumbia digital viajou o mundo e conquistou corações de diferentes latitudes, de loiras escandinavas a irmãos latino-americanos, e foi um dos chutes para produtores de todo o mundo se interessarem por esse tipo de fusões e irem além, fazendo ainda mais experimentos e mais mixagens, do folclore aos sons ancestrais e dos sons urbanos à world music, a partir de uma combinação que não era óbvia ou comercialmente orientada”.

Há seis anos, El Remolón decidiu que era a hora de lançar seu próprio selo e assim nasceu a Fertil Discos, que hoje já conta com mais de 40 lançamentos. “A ideia do selo é reunir uma rede colaborativa de artistas de diferentes latitudes interessados ​​na fusão de sons eletrônicos com sons orgânicos em seu sentido amplo, do folclore ao urbano. Estilos como cumbia, funk dance, candombe, copla e chacarera coexistem na etiqueta, todos estilos amalgamados em um profundo sentimento eletrônico”, explica.

Entre os principais lançamentos do selo estão algumas coletâneas, que ao invés de ser apenas a junção de músicas de diferentes artistas têm a preocupação e trazer o conceito de uma obra completa como El Camino de Leda, uma homenagem à folclorista Leda Valladares, em que a obra dela é revisitada através de versões contemporâneas feitas pela união de um produtor e uma cantora diferentes a cada faixa. Outro projeto recente foi Silice, uma compilação de mulheres eletrônicas (cis e trans) e identidades não binárias.

Em sua carreira, El Remolón já lançou três discos, três EPs, e “um monte de musicas soltas e remixes espalhados pela web”. Seu trabalho mais recente foi o EP Fina Calma, com sons tranquilos, voltados à meditação e bem adequado à esse tempo de pandemia, mas um novo álbum já está a caminho: “Terminei essa semana um álbum completo, que se chamará Asimétrico e que será lançado no início do ano que vem que traz um som eletrônico profundo com ares de sons latino-americanos, reminiscentes dos ancestrais, mas também pegando tons de diferentes regiões. Tem algumas colaborações com cantores e outros instrumentais, sempre com a ideia de oferecer uma viagem mental, que anda entre a psicodelia, a cumbia e o folclore regional em tom downtempo”, revela.

El Remolón já esteve no Brasil em algumas ocasiões e lembra com carinho de uma apresentação em 2016 na Virada Cultural de São Paulo. “Foi lindo ver toda aquela cultura na rua, diferentes tribos urbanas coexistindo em paz. Nunca aconteceu nada assim em Buenos Aires e seria lindo se acontecesse. Talvez seja um símbolo de um momento histórico que espero seja recuperado em algum momento. Viajei várias vezes ao Brasil, principalmente ao Rio e São Paulo em diferentes movimentos do circuito ‘Latin-tronic’. O Brasil é um mercado impressionante. Precisamos estar mais próximos do Brasil, sempre digo isso com um toque de tristeza, porque sinto que somos culturas semelhantes, mas ao mesmo tempo um pouco separados pela língua e pela consanguinidade de cada país.”

Essa aproximação acontecerá de forma virtual durante os showcases da edição 2020 da SIM São Paulo. “Surpreendentemente, fui um dos dois argentinos selecionados para o showcase. É um ano muito raro em que dificilmente fiz shows ao vivo, então é um grande desafio. A ideia é montar um show audiovisual com material novo e poder fazer com que o espectador sinta uma experiência sensorial como se estivesse em uma pista de dança solta no mundo. O ritmo vai ser lento e quente, mas com muito groove”, diz.

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