ANITTA, DUDA BEAT, CÉU & MALKA SÃO DESTAQUES NA COLUNA CALOOR FM

O GOLPE TÁ AI, CAI QUEM QUER!

por @Patricktor4

Nesta semana, a atualização de nossa playlist traz mulheres importantes da música brasileira. Em destaque, clipes, singles e discos que mostram a potência mais diversa de nossa música. E é sobre esta pluralidade, os momentos tão diferentes das carreiras e o histórico de cada uma delas que vamos discutir na coluna desta semana.

Anitta, Duda Beat, Céu & Malka trouxeram para seus públicos, ouvintes e seguidores novidades instigantes, canções que trazem o brega, a pisadinha, o trap, a bossa nova, o tecnobrega, o pagodão, em modelagens que o mercado consumidor brasileiro tem, cada vez mais, entendido como o nosso pop – e que eu gosto de chamar de pop tropical, mas aí é outro debate.

Existe um imenso conforto na juventude indie não-bronzeada do Brasil de cultuar uma cena gringa repleta de artistas conceituais interessantíssimos, mas que moldam sua obra à margem de um mercado fonográfico pop/comercial/mainstream. A grande questão é que não temos este mercado estruturado no Brasil, e acabamos repetindo lógicas colonizadas e preconceituosas, ao cobrarmos de certa maneira que nossos artistas não queiram alcançar mais público.

É como se fosse um demérito ético fazer sucesso. Quem nunca ouviu “prefiro o primeiro disco” ou “gostava quando não era modinha”? Ousar conquistar um grande público pode ser uma sentença de morte para artistas de vários estilos, segmentos e linguagens, mas sobretudo para os pretos e pretas e de origem periférica, que muitas vezes são desmerecidos e acusados de fazer uma “arte menor” quando obtêm fama com ela.

É muito fácil para o garoto da zona sul, na tranquilidade do seu lar provido pelos pais, negar a entrada no mercado consumidor de música, ou mesmo fazer uma obra experimental que rechaça diálogo com o grande público, e depois se irritar e desqualificar sucessos populares, como Barões da Pisadinha, Pabllo Vittar ou o jovem Menor Nico. É óbvio que cada um pode fazer o que quiser de seu trabalho, mas essa lógica do “quanto mais underground melhor”, que em muitos casos pauta jornalistas, curadores e críticos, deixa a nossa música refém. O velho confronto arte x sucesso comercial é repleto de um elitismo violento.

Gosto muito de rememorar uma entrevista do cearense Getúlio Abelha sobre o quanto a comunidade LGBTQIA+ foi responsável pelo Brasil se permitir gostar do pop nacional, consumir suas músicas, seu estilo, e o quanto tem de uma cultura brega misturada a isso tudo. Ou seja, é preciso reconhecer o papel do brega, seus elementos visuais, estéticos e temáticos, na base de nossa cultura pop, e o público gay como vetor para nós entendermos o pop brasileiro como algo nosso.

Existe uma necessidade real de se permitir artística e esteticamente. O mercado exige flexibilidade na construção dos repertórios, para ampliar públicos, para se manter ou mesmo para simplesmente aparecer. No lançamento da colab “O golpe tá aí”, entre Céu e Malka, claramente a DJ traz a cantora para um universo muito distinto do original da cantora. O hit composto por Matheuzinho e Nico Menor (mesmo compositor do outro sucesso tiktoker “Amor ou Litrão”) e interpretado por Céu em cima de beats de pisadinha mostra a artista para um outro público, ao mesmo tempo que traz essa musicalidade para seus seguidores. Gera aí um mix muito interessante, um golaço. A faixa assinada por Malka é excelente, beats e timbres perfeitos, uma produção de altíssimo nível técnico e coerência estética, uma pisadinha pop perfeita. Malka é uma mulher trans, DJ e produtora, residente da festa Mamba Negra e empresta seu talento para artistas como MC Tha, entre outros.

Sempre na chance iminente de virar uma diva em escala mundial, Anitta chegou abalando o fim do mês de abril com a campanha de lançamento do seu último single “Girl from Rio”. Transformando peças da campanha em memes de imensa circulação nas redes, a carioca chamou a atenção para este novo som, que mistura Bossa Nova com Trap numa sacada ótima, que teve um resultado excelente.

Surpreendendo muita gente que achava que viria outro batidão rebolativo, com letra leve e repetida, a menina de Honório Gurgel resolveu, nessa empreitada focada no mercado norte-americano, buscar verdades mais intrínsecas a sua realidade, para se encaixar num cenário de consumo muito crítico após o movimento Black Lives Matter, desde 2020. É fato que estas histórias de sua origem periférica, da descoberta de um meio irmão e de corpos diversos no clipe, às vezes, podem soar convenientes ou oportunistas, mas formam um trunfo interessante na desconstrução da narrativa óbvia do Rio de Janeiro moldada pelo cinema do século XX, embora ainda tropecem na hipersexualização dos corpos femininos.

Em seu mais novo disco, a pernambucana DudaBeat parece estar escondendo o jogo do que está por vir. Diante de uma nova conjuntura de mercado, a única artista brasileira com condição de emplacar sucessos em escala mundial, com o seu mix de sonoridades e possibilidades de alcance de público nacional e gringo, nos surpreende com um álbum pouco ousado. E ainda soa um tantinho abaixo da qualidade extraordinária dos singles e feats que ela fez entre o primeiro e o segundo álbum.

Entendo o aparecimento da Duda como uma imensa revolução em nossa música, atingindo públicos distintos, mexendo com o repertório geral de playlists, rádios, eventos e festivais, com suas composições trazendo letras cheias de uma forte carga brega e romântica, sendo montadas em cima de estruturas e arranjos do indie-pop ao eletrônico, passando por brega romântico, pagodão, bregafunk, até funk 150. Agora, Duda e seu time de produtores – a dupla Lux & Tróia, formada por Lux Ferreira e Tomás Tróia – parecem ter pisado no freio da ousadia dos grandes hits irresistivelmente pop da diva.

Com um disco sem grandes feats, e que não mostra todo o potencial da compositora e sua dupla de produtores, Duda pode estar preparando um grande pulo do gato para seu posicionamento internacional. Para este lançamento, ela teve gigantesco apoio de sua distribuidora digital, apareceu em destaque da campanha EQUAL do Spotify, nos imensos telões da Times Square em Nova York. As músicas deste disco entraram em diversas playlists e foram direto para o top 100 da plataforma sueca. Então será que este álbum está sendo apenas um teste menos ousado para atingir um público ainda maior? Com seu poderoso mix indie-pop, de piseiro ao pagodão, fortemente temperado com uma visita ao new wave dos anos 1980, eles têm a fórmula perfeita para um estouro mundial.

Se compararmos os números de nomes como DJ Ivis, Marília Mendonça e The Weekend, eles nos mostram o interesse do público nacional e gringo das plataformas para pisadinha, temas românticos e new wave pop. Nos resta esperar para ouvir o que está por vir e a reação do público.

Completando a lista de lançamentos desta semana, a delícia de encontro da paraense Keila
com a potiguar Luisa Nascim, no single poderoso que mistura o tradicional tecnobrega com passinho e outras batidas. Há também o pernambucano Passarinho jogando as rimas do dancehall num beat bregafunk; a maravilhosa paraibana Bixarte em reverência a Oxum; os colombianos do Bomba Estéreo com novo EP, os mineiros do Graveola apresentando um novo single “Tão tá”; Tropkillaz fazendo remexer o bumbum; e outro belíssimo encontro do baiano Hiran com o paraense Arthur Nogueira.

É isso. Segue, curte e dá play! Semana que vem tem mais!

Toda semana a humanidade é inundada por lançamentos musicais nas plataformas streaming e para não ficarmos de fora disso o DJ e radiomaker PATRICKTOR4 criou a playlist/coluna CALOOR FM, trazendo toda semana lançamentos que estão esquentando a cena pop tropical.
Na coluna e na playlist, além de artistas brasileiros de vários estilos, lugares e linguagens, nomes de outros países trazem links, influências e referências que se conectam com nossas sonoridades.

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