O QUE A MÚSICA ESTÁ FAZENDO PELO FUTURO DO MUNDO?

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Em 2019 completei 20 anos de carreira no mercado da música. Durante esse período, dei à luz centenas de projetos. Foram inúmeras ideias que ganharam vida com planejamento, cronograma, planilhas orçamentárias e muitos, incontáveis imprevistos e obstáculos sendo superados. Em 2019 também decidi que era hora de entrar numa nova fase e encarar um dos meus maiores sonhos e projetos de vida: ter um filho.

Desde a concepção em março deste ano, nada, absolutamente nada, saiu como planejado. Datas, cronogramas, planilhas orçamentárias foram completamente ignorados pelo Universo e muitos, incontáveis imprevistos e obstáculos foram – e continuam sendo – superados dia após dia, um de cada vez.

Mas o que nos faz não perder a esperança de que tudo vai dar certo e continuar lutando pra realizar projetos e sonhos? Duas coisas: 1. nossa certeza de que, não importa o que aconteça, somos fortes o suficiente e vamos resistir, vamos achar saídas, vamos continuar tentando, continuar superando o que for preciso e andando pra frente, e 2. o poder que temos de construir uma rede de apoio ao redor de nós que vai fazer com que o caminho seja mais tolerável e, até mesmo, prazeroso.

Já pensou em quem te faz continuar na hora do desespero? O que te mantém cheio de forças pra superar limites e seguir em frente?

O ser humano é o único ser vivo que nasce extremamente dependente e prematuro por questões biológicas e de sobrevivência. Para nossa espécie, nove meses não são suficientes para desenvolver filhotes que saiam do útero da mãe andando e procurando um peito pra se alimentar. Nascer antes do tempo nos obriga a criar vínculos mais fortes com nossos pais e pessoas ao redor. Quanto mais ligações de amor e companheirismo desenvolvemos, maiores nossas chances de sobreviver. É o vínculo que nos organiza e protege em sociedades, em grupos, famílias ou equipes de trabalho no mercado da música e nos faz criar saídas para tudo.

Um provérbio africano (já ouvi falar que era chinês também) diz que é necessário uma vila inteira para se criar uma criança. E nada faz mais sentido do que isso. Além de ser humanamente impossível uma nova vida ser cuidada só pela mãe, o bebê precisa de mais. Ele precisa de outras referências, de outras ideias, de todos os aspectos de uma cultura, de redes de conexão e confiança, de muitas mãos para segurar. Ele precisa escutar sotaques diferentes, conviver com pessoas de cores diferentes, experimentar vários sabores, ouvir vários sons. Isso faz dele um adulto melhor e mais preparado para superar obstáculos. E quanto mais adultos melhores o futuro gerar, melhor para meu próprio filho.

É uma ilusão e grande ignorância achar que precisamos lutar só para garantir a fatia do bolo dos nossos. Se o entorno do meu filho não for bom, o futuro dele também não será.

Por isso, a SIM São Paulo sempre teve como ideologia desenvolver oportunidades para melhorar a carreira e a vida dos outros. Não há projeto de verdade no mercado da música que sobreviva sem vínculos de amor, de colaboração, sem que um entorno solidário seja criado. Não existe sobreviver sozinho na sociedade e na indústria musical. Querer destruir seu colega do lado é assinar sua própria sentença de morte. Sempre acreditamos no poder do sucesso alheio. Quanto melhor estiver pra outras empresas, melhor para a sua. Quanto mais casas de shows abrirem e forem bem sucedidas, mais casas virão. Quanto mais a carreira do amigo for bem sucedida, melhores as chances da sua ser também.

Precisamos prestar atenção e cuidar uns dos outros, dos nossos vínculos e exigir que a sociedade, o mercado, as marcas, o poder público assumam compromissos que vão garantir um entorno mais saudável para que se crie comunidades de apoio e ambientes mais favoráveis para nossos projetos e nossos filhos.

Pelo sétimo ano, o mundo todo se reúne na SIM para discutir o futuro da música. Mas, neste ano em especial, queremos convidar você, artista e profissional da indústria, a refletir e discutir com mais afinco e fervor o futuro do MUNDO. Que mundo é esse que queremos? Como estamos cuidando do nosso entorno, nossos projetos, nossos filhos e nos organizando de fato como comunidade criativa, que se ajuda e gera futuro pra todos?

A música pode mudar o mundo? Tenho certeza que sim. Ou não estaria nesse caminho há 20 anos e muito menos com um bebê na barriga.

Editorial originalmente publicado na Revista SIM São Paulo 2019, disponível para leitura aqui

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