STREAMING, PODCASTS E O FUTURO DAS RÁDIOS CONVENCIONAIS

A discussão sobre o futuro das rádios convencionais, como conhecemos no dial, já é discutido há algum tempo. Mas ao que parece, elas não só conseguiram se adaptar ao novo ambiente digital, dialogando com o aumento do consumo de músicas através das plataformas de streaming e o número crescente de podcasts, como conseguiram usar isso ao seu favor.

“O rádio não é o aparelho, mas sim a linguagem, o modelo de relacionamento com o conteúdo; muita gente tem usado podcasts e streaming como se usa radio, é uma ferramenta de áudio com conteúdo usado para fazer companhia, e o rádio está ali, nessas outras plataformas”, comenta PatrickTor4, radialista e integrante do Conselho Consultivo da SIM São Paulo.

Segundo o estudo Inside Radio 2019, publicado pelo Instituto Kantar Ibope no ano passado, as rádios continuam sendo uma das mídias mais queridas pelos brasileiros, sendo consumido por 83% da população das 13 regiões metropolitanas onde a pesquisa foi realizada. Três em cada cinco entrevistados afirmaram ouvir rádio diariamente. Outro dado impressionante mostra que cada ouvinte passa em média 4 horas e meia por dia ouvindo suas estações prediletas. A pesquisa informa ainda que o a rádio se adaptou ao digital, e que o tempo médio diário dedicado ao formato via web havia crescido de 2h21 minutos em 2018 para 2h40 em 2019.

Junior Camargo, diretor geral da 89FM de São Paulo, acredita que a tecnologia veio para somar: “ Esse consumo de podcasts hoje no Brasil e no mundo vem crescendo justamente pelo hábito que as pessoas têm de ouvir rádio. A gente sempre gosta de ter nosso conteúdo exclusivo que são nossos apresentadores, no caso da 89FM aqui de SP; achamos que isso não apenas não atrapalha, como nos ajuda, temos nossos canais de podcasts de cada programa e agora a gente tem a possibilidade de transmitir vídeos. Assim, a pessoa que estiver acessando nosso aplicativo pode acompanhar o videoclipe da música na mesma hora em que o locutor a soltar. Então São muitos os recursos que o digital traz para a rádio e tenho certeza que o futuro vai aumentar ainda mais essas possibilidades”.

Esse uso das novas tecnologias é intrinsicamente ligado ao consumo das rádios através de smartphones e computadores, mas segundo a pesquisa, a grande maioria dos ouvintes, cerca de 84%, ainda usa aparelhos de rádio convencionais, 20% usa seus celulares e apenas 3% ouvem as rádios em seus computadores.

Mesmo assim, a internet se torna cada vez mais uma ferramenta poderosa para aumentar o alcance das rádios. “Hoje o perfil da audiência 89 é de pessoas acima dos 25 anos, de ambos os sexos, mas percebemos um aumento significativo de ouvintes mais novos e também de ouvintes fora de São Paulo, desde Tocantins até o Rio grande do Sul. Nós nos surpreendemos com esse aumento, que foi acima de 10%”, diz Junior Camargo.

Embora a tecnologia seja determinante, e os podcasts e streamings tenham vindo para somar, todos concordam que o importante é manter um conteúdo de qualidade. No Brasil, 93% dos ouvintes consomem música, e 62% consideram isso parte importante de suas vidas.  O rádio também continua sendo uma fonte confiável de informação. Cerca de 70 % dos ouvintes consomem notícias e 80% mantém a tradição de acompanhar transmissões esportivas.

“As pessoas sempre vão atrás do conteúdo com o qual se sentem respeitadas. Se você pega um uber, por exemplo, e de repente está tocando Sonic Youth, você vai achar estranho, vai perguntar para o motorista e vai descobrir que é uma rádio que tem um programa especifico, e isso vai te conquistar. Em algum momento você vai procurar aquela rádio. Os processos são assim, acredito sim que a internet tenha ajudado, como qualquer modelo de veículo midiático pode contribuir para a promoção, acho que isso faz diferença e gera algum conforto. Quando você faz um produto de boa qualidade e sabe usar as ferramentas de promoção, sem dúvida você vai ampliar a audiência chegar em novos ouvintes”, diz PatrickTor4.

“O grande desafio é se manter atualizado, sempre tendo conteúdo importante, relevante, porque é assim que você sempre vai ganhar o jogo, não importa a plataforma, seja ela rádio, mídias sociais, o que importa é o conteúdo e pessoas relevantes naquilo que elas falam e o que fazem em suas vidas, porque isso importa muito. Acho que o desafio é esse, sempre estar atualizado, buscar novas tecnologias, e ao mesmo tempo manter o feeling e a palavra do ser humano como um diferencial, acho que esse é o verdadeiro desafio”, conclui Junior Camargo.

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