GABRIEL TURIELLE: “A MÚSICA DEVERIA TOMAR UM PAPEL REVOLUCIONÁRIO PARA SI”

A SIM São Paulo catalisa encontros: profissionais de diversas áreas do mercado frequentam a feira e expandem seus horizontes e conexões. A série Humans of SIM traz histórias de pessoas que comparecem e aproveitam o melhor da SIM. O episódio desta semana é sobre o uruguaio Gabriel Turielle, responsável pela plataforma Contrapedal. 

Ainda antes de fundar o Contrapedal Records, Gabriel Turielle tocou baixo na banda Psimio e ganhou projeção e prêmios em seu país, Uruguai. Depois, o que começou como um selo em 2005, tornou-se não só seu ganha pão, mas também um projeto que integraria muitos outros profissionais e artistas de toda a América Latina. Contrapedal virou agência e produtora de shows e festival que leva o mesmo nome, com edições em países como Cuba, México, Peru, Colômbia e Brasil. A edição brasileira foi realizada na capital paulista em 2017, em parceria com a Inker (produtora responsável pela SIM São Paulo).

“Em 2014, fui morar no México por uns anos e, ali, criamos uma agência de booking que fez turnês de artistas como Dona Onette, Ava Rocha, Francisco, El Hombre, Tulipa Ruiz, entre outros”, conta o produtor. Ele complementa: “2014 foi intenso, já que no mesmo ano impulsionamos a criação do MMF Latam (Associação Latino-americana de Managers), da qual fui o primeiro presidente, e vice-presidente do IMMF (International Music Management Forum).”

Junto de tudo isso, há espaço para ainda mais trabalho. Turielle também trabalha como consultor e oferece suporte para a internacionalização  de projetos de inovação tecnológica na América Latina, já que é originalmente formado em Ciência da Computação. Por fim (ufa!), ele está para lançar seu primeiro livro, “Manual de Supervivencia para Músicos Empreendedores”, projeto que conta ainda com o portal Mentoria Musical repleto de materiais de formação e outros recursos para o setor.

O fundador do Contrapedal está com a SIM São Paulo desde o início: “A primeira vez que ouvi falar da SIM, creio que foi em sua primeira edição, quando representei o artista Franny Glass, do Uruguai. Lembro do impacto que essa convenção provocou em mim. Dos conteúdos, dos convidados, das festas e da qualidade da produção. Sempre admirei muito a Fabiana Batistela porque, em cada edição, ela aposta ainda mais alto”.

A América Latina tem história e cultura complexas e realizar um festival que passa por vários países do continente traz desafios únicos. “Primeiro, os desafios mais importantes tem a ver com entender as idiossincrasias de cada lugar. Depois, encontrar os parceiros adequados e, finalmente, dar continuidade para gerar rentabilidade a longo prazo. Na América Latina, é muito difícil por causa da dinâmica econômica e política”, explica.

Como um território permeado pela tensão política desde o início de sua colonização, arte e cultura exercem um papel importante nas lutas latino americanas. Para Turielle, o lugar da música nestas situações é, não só de combate, mas também de inovação: “Lamentavelmente, a pandemia fez com que a atenção das pessoas se desviasse dos problemas políticos, já que o coronavírus foi a oportunidade que alguns governos esperavam para exercer ainda mais autoritarismo. Penso que o papel da música e de todos os músicos deveria ser mais contestatário, de expor a realidade mais profunda. A música deveria tomar esse papel revolucionário para si desde o discurso, até a estética e os movimentos artísticos”.

Em relação ao impacto do coronavírus no mercado, o produtor não bate nenhuma estaca mas não enxerga na enxurrada de transmissões ao vivo de shows e outras atividades gratuitas como luz no fim do túnel. “O negócio da música é um negócio para poucos e um meio de sobrevivência para a grande maioria. Vejo uma superexposição de shows em streaming, assim como conferências e oficinas, mas acredito que, com o tempo, a frequência vai diminuir, porque não é possível viver de atividades grátis o tempo todo. Assim, os artistas terão que começar a acostumar o público a pagar por conteúdos digitais”, reflete.

Turielle acredita que até uma vacina ser criada, o setor vai caminhar com dificuldade, já que os protocolos de distanciamento social tornam difícil a retomada das atividades como eram antes e muitos projetos se tornam inviáveis: “O futuro incerto nos obriga a refletir e diversificar nossas ofertas e serviços. Acho que músicos e produtores precisam se esforçar para criar novas propostas de valor para poder monetizar e sobreviver aos tempos que vêm a seguir. Mais do que nunca, é tempo de trabalhar para criar uma comunidade a partir de sua essência original e fidelizá-la”.

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