HELENA GAIA: “A gente tem que pensar em potencializar o acesso e o uso do virtual”

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No vigésimo capítulo, entrevistamos Helena Gaia, produtora geral da SIM São Paulo.

A trajetória de Helena Gaia no mercado da música começa no emprego dos sonhos de muitos que cresceram entre os anos 90 e 2000. De 2005 a 2007, ela trabalhou em projetos pontuais no departamento de relações artísticas da MTV Brasil, até que finalmente foi contratada: “Trabalhei no VMB e no Rockgol cuidando dos artistas e fiquei nesse departamento até 2011. Era bem legal porque eu tinha esse acesso aos artistas, era a pessoa que recebia todos os clipes da MTV e assistia primeiro, antes de todo mundo”.

Ao sair de lá, se juntou à equipe do rapper Criolo, que havia acabado de lançar seu Nó na Orelha. “Entrei pra trabalhar junto com a empresária dele, a Biba, fazendo a produção da tour de lançamento do álbum. Fiz também a produção executiva do DVD que rolou com o Emicida (Criolo e Emicida Ao Vivo), ajudei na tour internacional do Criolo… a gente cuidava de tudo. Foi um momento em que tive muita ‘mão na massa’, porque ficava ajudando em tudo: cuidando da agenda dele, fazendo a ponte com assessoria de imprensa e essas coisas todas”, lembra.

Depois de fazer uma pausa e tornar-se mãe, Helena trabalhou em eventos corporativos por algum tempo. Voltou à música em 2017, quando trabalhou no programa Clubversão, da HBO, e esteve em contato com artistas do Brasil e da América Latina. Foi só em 2018 que ela juntou-se à SIM São Paulo: “Em 2018 e 2019 eu fui produtora geral junto com a Alê [Briganti]. E agora em 2020 eu assumi a coordenação de produção. Fico muito feliz de trabalhar na SIM porque foi isso, consegui unir as duas coisas que gosto de fazer: trabalhar com música, pensar sobre música e trabalhar com eventos”.

Além de reforçar a função da SIM como ponto de encontro essencial do mercado da música, onde importantes conexões são feitas, ela enxerga no evento a possibilidade de formação para os artistas e agentes que comparecem. “Essa possibilidade de conexão e formação é muito importante. Acho que faltava esse lugar de formação e informação aqui no Brasil. A música traz isso, a possibilidade de você se conectar para além do que está aqui. Ela amplia muitas discussões e formações diferentes — como toda forma de arte, mas acho que a música potencializa isso”, explica.

Para a produtora, um dos maiores desafios em seu trabalho é a maneira como a música é vista, tanto pelo governo quanto por uma parcela da população: “A música não é levada a sério como mercado, como uma potência financeira. Principalmente nesse momento em que a gente está vivendo, com o presidente que a gente tem. Então a gente tem muita precarização no mercado, não tem leis trabalhistas ou leis de incentivo funcionando direito e ficamos presos em todas essas entraves”.

Questionada a respeito do futuro, Helena reflete sobre as dificuldades impostas pelo coronavírus e o distanciamento social à todo o mercado da música. Convenções de música são conhecidas, justamente, por sua capacidade de unir pessoas e este é o grande desafio do momento: promover a união em segurança. “O que eu consigo pensar é no presente. O que a gente tem é isso: estamos em isolamento, não conseguimos nos encontrar e nos conectar pessoalmente mas conseguimos fazer isso virtualmente. Então vamos pensar nesse presente, o que a gente consegue trabalhar com isso? A gente tem que pensar em como trabalhar e potencializar o acesso e o uso do virtual. Esse é o maior desafio que a gente tá vivendo hoje na música e na SIM São Paulo. Estamos nesse processo de reinvenção, né?”, finaliza.

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