HELOISA AIDAR: A SIM É UM EVENTO PARA O QUAL EU RESERVO A DATA

Figura respeitada na indústria musical, a produtora e empresária Heloísa Aidar é sócia e diretora da distribuidora digital Altafonte Music Publishing Brasil. Ela conta que o início da sua carreira se deu de maneira curiosa. Formada em artes cênicas pela Unicamp, ela começou a trabalhar com produção ainda nos tempos de faculdade, junto a um grupo circense, The Pambazos Brothers. Pouco tempo depois, de volta a São Paulo, à procura de uma professora para continuar suas aulas de dança Guiné-Conacri, acabou conhecendo a cantora, compositora e bailarina guineense Fanta Konatê. Sem condições de pagar pelas aulas propôs uma permuta, e acabou se tornando sua produtora, promovendo o lançamento do disco da cantora.

De vez em quando ela também ajudava sua prima, a cantora Mariana Aydar, ficando na bilheteria de seus shows ou vendendo merchandising, até que um dia recebeu a proposta de se tornar sua empresária. “Eu nem sabia o que era um monitor ou P.A”, conta Heloísa, que mesmo assim aceitou o convite.  Ela lembra que a prima tinha um show marcado em Aracaju e a pediu que conseguisse uma data em Salvador. Sem ter nenhum contato, Heloisa deu um jeito, conheceu pessoas e acabou realizando um show no Pelourinho, com grande repercussão e a presença de Caetano Veloso na plateia. “Mas confesso que enquanto a Mariana estava fazendo show no Pelourinho eu estava aqui em São Paulo chorando de desespero por tudo o que estava acontecendo”, conta. Depois de uma parceria de quatro anos, e dois discos lançados, Heloisa decidiu que era hora de novos desafios, mas reforça sua ligação com a prima e a importância desse trabalho. “A Mariana foi uma grande escola para mim, porque ela tem muita noção do mercado, ela é muito consciente de tudo, e ela me insertou no mercado de uma forma muito generosa”.

Heloisa lembra que nessa época um grande amigo, o guitarrista Gustavo Ruiz, insistia muito para que ela assistisse um show da irmã, até que um dia ela finalmente cedeu. “Eu não conseguia falar com ninguém, só tinha olhos para a Tulipa Ruiz, fiquei encantada”, conta. Logo as duas estavam trabalhando juntas, já no show de lançamento do primeiro álbum, Efêmera. “A Tulipa foi um fenômeno em minha vida. Se a Mariana foi minha escola na música, a Tulipa certamente foi minha universidade. Eu estava com mais bagagem, mais madura, e fomos construindo juntas, crescendo e abrindo essa trilha no meio de uma selva”, comenta. “Com a Mariana tinha todo o trabalho junto à gravadora, e aqui não, éramos nós duas e o Gustavo pensando em cada passo da carreira”. Nessa época a própria Tulipa levava seus discos às lojas, e as obras dela não estavam editadas em lugar nenhum. Por um desejo de deixar tudo organizado, Heloísa acabou transformando sua produtora, Pommelo em editora a distribuidora, que em pouco tempo estava trabalhando com vários artistas. “Fui pegando muito muito gosto pela coisa, principalmente da editora, me interessei, fui estudar, e foi muito gostoso porque como empresária nunca consegui ter mais do que um artista, minha cabeça não se divide em dois”, brinca. “Na distribuidora era o lugar em que eu tinha a chance de ter contato com outros lançamentos, outros artistas, outras estratégias, e isso era muito interessante”.

Após sete anos com Tulipa, Heloísa recebeu um convite para prestar uma assessoria para o ministério da cultura, na gestão do Juca Ferreira. “Minha cabeça abriu totalmente, e eu entendi que eu estava em um momento que eu desejava trabalhar com projetos mais amplos, com uma necessidade de arejar a cabeça, ter novas ideias, e decidi deixar de ser empresária e trabalhar com projetos”.  Com vários trabalhos bem sucedidos junto ao Festival Maloca Dragão, o Festival de Inverno de Garanhuns e o Festival dos direitos humanos de São Paulo, Heloisa mais uma vez muda de ares e abre, uma produtora de trilhas para cinema, televisão, internet e publicidade, Brisa, junto ao seu companheiro, Marcio Arantes e Mariana Aydar. “Foi uma experiência muito feliz, porque conheci esse outro mercado, da publicidade, e gostei bastante, tivemos experiências muito interessantes”, conta.

Heloisa conheceu então a Altafonte, uma distribuidora digital. “Eu achava que o digital era terra de ninguém, até que conheci o Nando, dono da empresa, e tivemos uma sinergia muito grande, ele pensa de uma maneira muito diferente, muito humana e holística, e achei muito bizarro que ele fosse o CEO de uma distribuidora digital. Por conta dele comecei a trabalhar com a Altafonte, distribuindo os artistas da Pommelo”. Heloísa diz que “adormeceu a Brisa e a Pommelo Produtora”. No início de 2019, foi convidada pela Secretaria de Cultura para assumir a coordenadoria dos grandes eventos da Cidade de São Paulo. Seus primeiros projetos foram o Mês do Hip Hop e a Virada Cultural, no ano em que foi eleita o maior evento de 24 horas do mundo. Em fevereiro deste ano, decidiu que deveria ficar focada totalmente na Altafonte Music Publishing, e desde então se tornou sócia e diretora executiva da empresa.

A escolha de Heloisa pela cultura e o meio artístico veio por influência da família. Os pais são da área da saúde, mas em suas lembranças sempre havia uma música tocando em casa.  “Esse olhar humanista vem muito da minha educação e da sorte que eu tive de encontrar pessoas que me influenciaram no meu jeito de ver não só a arte, a música, mas de ver o mundo”. Fez artes cênicas, um curso que ajudou muito em sua profissão: “Eu acho que eu sou o que sou pelo que eu aprendi a ser no palco ali na Unicamp”.  Ariana, gosta de desafios. Era viciada no jogo Campo Minado no computador. “Eu tenho essa fissura por você vencer os desafios, por realizar”, diz. “É por isso que eu acho que passei por vários segmentos do mercado, fui me desafiando em cada um deles”, avalia.

Heloisa conhece e frequenta a SIM São Paulo desde seu primeiro ano e esteve envolvida em quase todos os anos de alguma forma. “A SIM foi um lugar muito importante porque a gente não tinha tantas feiras assim. Então e comecei a frequentar feiras internacionais antes de frequentar feiras nacionais. Eu achei aquilo um grande absurdo. Então quando a SIM nasceu, ela veio para suprir um gargalo, que era uma feira de música na cidade de São Paulo e eu fiz muitos negócios na SIM. Enquanto empresária, foi um evento muito importante para garantir turnês internacionais, eu gostava muito de estar conectada com todo mundo e era um lugar de encontro nosso, dos profissionais do mercado da música”.

Desde que começou a trabalhar com a Altafonte, o interesse de Heloisa se voltou também os showcases da SIM São Paulo. “É um lugar onde eu vou para me refrescar um pouco, para entender o que está acontecendo, qual a cena que está surgindo, qual a foto desse mercado musical nesse momento. Então tem uma grande importância no meu calendário, é um evento para o qual eu reservo a data”, conclui.

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