LAURA DAMASCENO: “É CRUCIAL ABRIR A CABEÇA PARA POSSIBILIDADES IMPENSADAS”

A SIM São Paulo catalisa encontros: profissionais de diversas áreas do mercado frequentam a feira e expandem seus horizontes e conexões. A série Humans of SIM traz histórias de pessoas que comparecem e aproveitam o melhor da SIM. Este episódio é sobre Laura Damasceno, jornalista, responsável pelos novos projetos na Casa Natura Musical e curadora do Festival Breve e da plataforma MECA.

Assim como muitos de sua geração, Laura Damasceno cresceu assistindo MTV e absorvendo as mais variadas referências musicais e de produção de conteúdo. E foi na filial mineira da emissora que ela, recém-formada, encontrou seu primeiro emprego e exerceu diferentes funções durante sua passagem por lá, de apresentação à direção.

Hoje, a jornalista é parte da equipe de curadoria do Festival Breve (MG) e dos eventos da plataforma MECA, além de cuidar dos novos projetos na Casa Natura Musical. O caminho que à levou a esses postos, entretanto, vai de um intercâmbio em Barcelona até a abertura de uma casa de chás em Belo Horizonte: “Em 2011, decidi sair da MTV pra fazer uma especialização em crítica cultural na Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona. Ao retornar ao Brasil, trabalhei como redatora publicitária na Globo em São Paulo. Mas aos poucos, fui me dando conta de que tinha sido bastante influenciada pelo estilo de vida europeu e decidi retornar a Belo Horizonte para abrir uma casa de chás, como as que eu frequentava por lá. Tive a Chá Comigo durante três anos e foi uma experiência fantástica! Fiz grandes amigos, abri espaço para iniciativas culturais e o local se tornou um ponto de encontro da cena criativa da cidade”.

Depois de seis anos administrando o estabelecimento, Laura decidiu passá-lo para frente e mudou-se de volta para a cidade de São Paulo, onde iniciou uma nova fase de sua vida. “De lá pra cá, apresentei uma série de programas para a plataforma Queremos! no canal do Multishow no Youtube, trabalhei como líder de experiência para a MESA (empresa de consultoria antes conhecida como Mesa & Cadeira), apresentei uma série musical para a marca Youcom, também no Youtube, e rodei festivais pelo Brasil e pelo mundo, muitas vezes aproveitando para fazer cobertura para marcas ou mediando rodas de conversa que integravam a programação”, conta.

Sua relação com a SIM começou em 2016, através da programação noturna e, a partir da edição seguinte, ela virou frequentadora do evento que considera “a festa de fim de ano do mercado da música.” Foi durante uma das edições que conheceu Juli Baldi, que tornou-se sua amiga e parceira na hora de trabalhar: “Partiu dela o convite para que eu apresentasse a série de programas musicais que gravei para a Youcom, em 2019. Outro episódio curioso na SIM também envolve a Juli e aconteceu na festa de abertura da edição 2018, quando nós duas começamos a conversar com outros amigos sobre o Primavera Sound e, na empolgação do momento, compramos nossos ingressos no meio da pista do Cine Jóia. E não foi papo de bêbado! De fato ano passado alugamos um apartamento em Barcelona e fomos todos juntos para o festival”, relembra.

Para Laura, a importância de eventos como a SIM Paulo está, principalmente, nas trocas promovidas por eles. “Tanto a troca de conhecimento nas programações oficiais, que se dá com muito mais profundidade do que num texto escrito ou numa reportagem de vídeo, quanto a troca entre profissionais com as mais diversas vivências, que acontece de maneira informal nos momentos de descontração e cria vínculos verdadeiros mesmo em encontros breves”, explica.

Refletindo sobre o trauma coletivo que envolve o enfrentamento de uma pandemia e as reações do mercado da música ao cenário atual, ela acredita que é uma questão de tempo até que todos se adaptem a essa realidade e que as inovações passem a surgir frente aos novos desafios. Ainda assim, Laura pontua que “o mercado da música precisa de mais incentivos por parte do poder público (e consequentemente, de bastante união e organização dos profissionais da música para cobrar e ajudar a moldar essa demanda), de um reconhecimento/reeducação do público que se converta de fato em maior rendimento financeiro e de um esforço conjunto dos agentes do ramo para criar novos formatos de se apresentar e se vender música”.

Finalizando, ela reforça a necessidade de manter a mente aberta em um momento como o que vivemos atualmente. “É crucial abrirmos nossa cabeça para possibilidades impensadas. Pensando fora da caixa com bastante empenho e otimismo, acredito que vamos encontrar um equilíbrio entre as possíveis inovações e transformar o que a princípio parece uma distopia, em um cenário de produções musicais interessantes, autorais, éticas e de grande qualidade”.

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