GRAVADORAS LUCRAM MAIS DE UM MILHÃO DE DÓLARES POR HORA COM STREAMING

Uma análise publicada pelo site Music Business Worldwide, baseada em dados fiscais, revela que no último trimestre de 2019, as três maiores gravadoras do mundo, conhecidas como “Big Three” (Universal Music Group, Sony Music Group e Warner Music Group), geraram em conjunto 24,8 milhões de dólares, em média, por dia, o que ultrapassa um milhão de dólares por hora apenas com streaming. Embora esses números sejam impressionantes, foram um indicativo de que houve uma ligeira desaceleração no crescimento do streaming em relação ao mesmo período de 2018.

O primeiro trimestre de 2020 indicava uma recuperação, mas com a chegada da pandemia do Covid-19 e a incerteza do futuro, o crescimento se tornou mais lento, as falhas nos pagamentos por parte dos usuários aumentaram, mas essa tendência parece revertida, e no final de junho o crescimento já se aproximava dos níveis pré-pandemia, mostrando a força do streaming mesmo diante de uma crise mundial sem precedentes.

Parte desse crescimento pode ser explicada por usuários que migraram do serviço gratuito para o premium à procura de um serviço melhor e sem interrupções. Mas segundo o counterpointresearch.com essa elevação também se deve às promoções oferecidas principalmente em mercados emergentes, como na Índia, onde o Spotify entrou recentemente e baixou o preço das assinaturas quase pela metade. 

O crescimento também foi incentivado pela criação de serviços específicos, como o Spotify Kids, podcasts e até mesmo playlists para pets. As concorrentes também se engajaram em campanhas para ganhar assinantes: A Apple Music chegou a oferecer seis meses de assinatura grátis em campanhas enquanto a Amazon concedia um período grátis de músicas em alta definição (lossless).

Outro fenômeno ajudou nessa recuperação: os podcasts. O Spotify resolveu desafiar o domínio da Apple e tem investido pesado para se tornar a principal plataforma do formato. Recentemente assinaram contratos de exclusividade com a socialite Kim Kardashian e o comediante Joe Rogan.  

No entanto é bom ter em mente que o crescimento não acontece por si, ele depende de boa música e de criadores de conteúdo.  

Em um post do site Medium, o presidente da RIAA (Recording Industry Association of America), Mitch Glazier, comentou que esse crescimento das assinaturas pagas de streaming tem um lado positivo, impulsionando o retorno ao crescimento, mas reforça a necessidade da criação de políticas públicas sustentáveis, de longo prazo que beneficiem os artistas. 

“Esse relatório reflete a perspectiva de um futuro no qual os criadores têm um caminho a seguir, mas também revela o quanto devemos ir mais longe para garantir uma comunidade musical saudável em que toda a música seja valorizada e os criadores sejam compensados de forma justa. Ainda não percebemos o valor total da música em todos os serviços digitais”, diz Glazier.

Embora a tendência de alta dos streamings tenha se concretizado no segundo trimestre deste ano, mantendo o lucro de mais de um milhão de dólares por hora, as gravadoras ainda têm um grande desafio pela frente, o de ao menos igualar os lucros do ano passado. É necessário criar um plano para que o segundo semestre seja lucrativo, mas o cenário atual é nebuloso, com shows presenciais suspensos, gravações de filmes, séries e programas de TV adiados e os eventos públicos cancelados.Além disso, há a incerteza sobre o fim da pandemia e se a venda dos formatos físicos irá se recuperar. A saída talvez seja ampliar o número de lançamentos e consequentemente aumentar as receitas de  streaming.

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