MARINA AMANO FALA AOS INDEPENDENTES NA COLUNA OUÇA ESSE CONSELHO

OUÇA ESSE CONSELHO é um espaço livre para opiniões, análises, reflexões, desabafos, sugestões e acolhimento. Toda semana, você encontrará aqui textos escritos por membros do Conselho Consultivo da SIM, refletindo a multiplicidade de opiniões e vozes.

CARTA AOS ARTISTAS INDEPENDENTES

Por Marina Amano

Tá difícil pagar os boletos, né? A grana cai e o banco come. A resposta daquele edital foi um educado não. E agora, com as casas de show abrindo, volta ou não volta pro palco? Dilema das redes: boicoto as grandes corporações ou me atrelo ao sistema para conseguir pagar o aluguel? Parece que pro artista independente, o fardo sempre vai ser mais pesado. Mas pra tudo o que está acontecendo, nem os mais bem sucedidos tem a resposta. Nem as grandes empresas estavam preparadas, até mesmo aquelas que cresceram durante a pandemia. Todo mundo perdeu o cabelo nos últimos meses e a gente ainda continua sem conseguir se planejar nem pro dia de amanhã. A grande questão é que ninguém tem a resposta pra nada.

Eu me lembro que lá no começo fui uma das pessoas que decidiu pegar esse tempo sozinha e aproveitar pra tirar os projetos do papel. Bati esse papo com algumas pessoas sobre os planos que eu tinha para as horas vagas de home office. Comecei redesenhando processos, criando planos para um futuro próximo, pensando em mudar até mesmo o nosso modelo de negócios na Listo. Mas fui freada pela minha consultoria (assim como todo mundo precisa de terapia, costumo dizer que toda empresa precisa de uma consultoria rs!). Eles me disseram que se em 2 anos de vida a agência estava crescendo, não eram 3 semanas de pandemia que deveriam pautar os próximos passos da companhia. E eles estavam certos. Ao mesmo tempo, senti que essa autocobrança era tóxica demais, mexeu com a cabeça de todo mundo e deixou muita gente doente. E meu texto vai ser sobre isso.

A síndrome do impostor ou o excesso de perfeccionismo vão fazer de tudo pra te frear. Afinal, pra muitos músicos, compositores e produtores, colocar uma música na rua deve ser igual aquele sonho em que você aparecia pelado na escola. É botar a vulnerabilidade em público pra ser julgada. E tem juiz pra tudo: pra criticar tua lírica, teu beat, teu clipe, os acordes que você escolheu no violão, os dedos que você usou pra tocar teu piano, se você usou synth em vez de um contrabaixo. E a sensação vai ser de que NUNCA VAI ESTAR BOM. Essa cobrança se intensifica ainda mais quando falamos sobre mulheres, a comunidade LGBTQIA+, preta, periférica, indígena, PCDs. Não deixe essa onda te levar pro fundo. Talvez sua música não esteja boa o suficiente pra você, mas ela sempre será incrível pra alguém.

Por isso, tenha pressa.

Marina Amano é fundadora da Listo Music, agência de marketing digital especializada estratégias de lançamento musical e conteúdo e também é empresária de Tuyo, Felipe Flip, Óbvio e Sandro.

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