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O NEOTROPICALISMO ANTROPOFÁGICO DE JACINTHO NO PITCH DE NOVOS ARTISTAS

Entre os 18 escolhidos para o PITCH DE NOVOS ARTISTAS está Jacintho, músico nascido e criado na periferia de Leme, cidade do interior paulista, em um contexto que, segundo ele, ser artista não era uma opção. Mesmo assim Jacintho encontrou seu caminho e soube aproveitar as oportunidades para a construção de sua carreira. “Graças a pequenos lapsos de oportunidade e acesso pro mundo da arte e da cultura através da educação, consegui me embrenhar num contexto de produção artística, entre as artes visuais e a música. Tive a oportunidade de viver em Araraquara (SP), onde me formei em jornalismo, mas sobretudo me aprofundei nas produções musicais junto com vários artistas e produtores que sempre colaboraram muito nos meus trabalhos, como Rafael Barone, músico e produtor de Liniker e os Caramelows”, diz o artista que em sua adolescência teve uma banda de pós-punk, Ironias, mas ao mesmo tempo já pesquisava outras linguagens e outra estética: “Paralelamente a isso sempre estive compondo em um contexto que me fazia sentido e me absorvia por inteiro, era algo mais próximo da linguagem do bolero e brega, com pitadas de música regional caipira, que eram referências que remetiam direto a minha infância, meu bairro e nossa realidade. Em 2015 assumi esse ambiente de pesquisa e composição baseado na música do norte e nordeste, que conduziu ao lançamento do meu primeiro EP homônimo assinado como Jacintho (meu sobrenome) no começo de 2017”, conta.

Um ano antes, em 2016, o artista foi contemplado pelo Programa Rumos do Itaú Cultural para realizar uma residência artística na área de artes visuais na Espanha. Jacintho conta que estar na Europa pela primeira vez lhe causou um grande impacto, e o fez sobre a latinoamericanidade e o reconhecimento de processos históricos e sociais que correspondem ao que somos e toda a desigualdade do Brasil contemporâneo. “Com isso, minha pesquisa começou a se ampliar dentro da narrativa histórica da América Latina, sobretudo da música latina. Esse processo foi bem intenso e me levou até a concepção do meu disco Tropical Desespero, lançado em 2019 através do ProAC editais. Esse disco veio como uma série de sínteses histórico-sociais de reflexões sobre o contexto latino-periférico, mas em uma poética carregada de analogias, onde a narrativa caminha entre romances e fatos. Nele busquei conduzir uma estética musical que levasse ao que chamo de estética neotropical e/ou latino-futurista, uma construção antropofágica entre a música tradicional latina e a música periférica. Nesse trabalho as mãos dos produtores e músicos Felipe Cordeiro e Rafael Barone estiveram bem presentes, junto da mixagem da Rafaela Prestes. No emaranhado de lançamentos, entre singles e o disco vieram participações que me alegram muito como: Felipe Cordeiro, Sammliz e Francisco el hombre”, diz o artista.

Atualmente Jacintho trabalha em um novo EP. “Recentemente lancei duas músicas inéditas através do Festival MIGRA, que deverão compor o novo trabalho. Ontem e O Tempo, correspondem a um processo de pesquisa influenciado por referências do trap, do drill, cloud rap e nuances experimentais”, diz Jacintho, que completa: “De modo geral, considero que a música que busco criar mora nesse espaço de concepção antropofágica, que bebe de inspirações da música tradicional e popular latina, mas que se move em experiências urbanas, sintéticas e futuristas, nesse universo neotropical”.

Jacintho conta que foi pego de surpresa com a notícia da classificação para o PITCH DE NOVOS ARTISTAS: “Eu havia me esquecido da data do anúncio. Só sei que acordei de ressaca e vi que tinha sido classificado, ainda levei um tempo para digerir, mas foi e é uma grande alegria. Logo depois já comecei a fritar as ideias rs. Sem dúvidas quero apresentar algo relacionado as canções inéditas. Elas correspondem um contexto e uma linguagem que me interessa e me instiga muito, acho que sintetizam as experiências e caminhos que vim desbravando ao longo do tempo. Ansioso por esse momento”.

Jacintho fala também sobre a importância da participação e as expectativas. “O Pitch de novos artistas ou Showcases da SIM sempre se colocaram como um mapa referencial dos caminhos da música brasileira e mundial nas minhas vistas. E sempre olhei pra essa proposta como uma perspectiva da música do amanhã, das representações e características de linguagens, conceitos e estéticas da música. Eu me sinto honrado, reconhecido e mais responsável ainda por tudo que componho e produzo. Acho que essa deve ser a quarta ou quinta vez que me inscrevo e percebo com relação as edições anteriores o processo de amadurecimento dos meus trabalhos.
Considero também o fato de poder representar um contexto de artista interiorano, com apoio de outros artistas dessa realidade e que buscam construir seus trabalhos e reconhecimento estando e produzindo no interior, numa realidade de pouco acesso, mas de muita vontade e disposição, é algo extremamente significativo pra nós. As expectativas são as melhores possíveis, dentro de uma intenção real de conseguir transmitir efetivamente as impressões que busco com meu trabalho e tudo que ele carrega em cada processo”.

Boa sorte ao Jacintho!

Ouça aqui mais músicas do Jacintho:

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