ONG USA O PODER DA MÚSICA CONTRA AS GANGUES DE CAPE TOWN

Um dos destinos mais belos do mundo, a Cidade do Cabo, uma das três capitais sul-africanas, aparece entre as cidades mais violentas do globo, com uma taxa de homicídios que chega próxima de 70 assassinatos a cada 100 mil habitantes.

Essa mesma metrópole, que já chegou a ser indicada pelo New York Times como o melhor destino turístico do planeta, esconde uma parte sombria dominada por gangues armadas que defendem seu território e disputam a supremacia na distribuição e venda de drogas. Um estudo publicado em 2016 concluiu que cerca de 11% dos crimes eram cometidos por esses grupos, mas essa conclusão levantou também uma outra preocupação, que foi o envolvimento dos jovens nas atividades ilícitas. Muito desse comportamento tem a ver com a falta de empregos. Naquele ano quase metade dos jovens entre 15 a 35 anos estavam nessa situação, e em 2017 a África do Sul tinha a maior taxa de desemprego juvenil no mundo. Entre as camadas mais pobres da população, muitos jovens não apenas não conseguem trabalho, como também estavam sem estudo, nas ruas sem nada para fazer, e aí é que as gangues aparecem como uma oportunidade.

Vale lembrar que essa realidade não é exclusiva da África do Sul. Aqui mesmo, no Brasil, essa história se repete com outros personagens em diversos cantos. Ao consultar a lista dos países mais violentos do mundo, a África do Sul aparece em quarto lugar, com quatro cidades violentas, enquanto o Brasil aparece em segundo, com dez, atrás apenas do México, com 19.

Com a preocupação de proporcionar melhores condições aos jovens da Cidade do Cabo a baixista e compositora Karien de Waal criou em 2018 a ONG Join Bands, not Gangs (junte-se à bandas e não gangues), com a qual ela pretende realizar o sonho de distribuir um milhão de instrumentos aos jovens. Movida por sua fé e paixão, e decidida a divulgar as intenções de seu projeto, ela lançou uma música, Madiba Wethu, no dia 18 de julho de 2018, data em que se comemorou o centenário do líder africano Nelson Mandela. Logo no início, cerca de 60 músicos locais apoiaram o projeto, chamando a atenção da mídia e causando uma inundação de pedidos de ajuda de comunidades menos favorecidas. Em outubro do mesmo ano, após receberem doações deum grande número de instrumentos, eles fizeram sua primeira doação a uma escola local. Com a presença de autoridades e líderes comunitários.

Hoje em dia, as ações da ONG são baseadas em dois princípios: Prevenção e intervenção. O primeiro consiste em oferecer atividades a jovens entre 8 e 14 anos após os horários de aula. O segundo tem como foco trabalhar diretamente com as gangues locais, oferecendo a eles a oportunidade de participar de aulas de música nas quais acabam convivendo com seus rivais e superando as diferenças, construindo amizades através de um interesse comum e mudando suas vidas pelo poder transformador da música. Para facilitar esse entendimento, a ONG disponibiliza uma equipe de conselheiros e orientadores que ajudam os jovens nessa mudança tão importante.

Outra proposta da Join Bands, Not Gangs é saturar essas comunidades com oportunidades, de forma que todas as crianças e adolescentes tenham a possibilidade de desenvolver seus talentos e de se tornar empoderadas. E que isso seja o início de uma mudança profunda, que possa refletir nas próximas gerações. As ações da ONG começaram de forma pequena, atuando apenas em Scottsdene, um bairro periférico de Cape Town, mas hoje já tem um alcance muito maior. No site da ONG, eles dizem que “o objetivo final é ver uma redução no gangsterismo, transformação da comunidade e maior potencial para o futuro de nossos jovens”, e completam: “E já está começando a acontecer”.

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