RUTH DANIEL: A MÚSICA COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

O currículo de Ruth Daniel é extenso, fruto de uma trajetória dedicada à transformação da vida das pessoas através da música, com ações em mais de 20 países, sempre buscando a igualdade social, a inclusão e a busca de um mundo melhor para todos.

Desde cedo Ruth foi apaixonada por música. Aos dez anos ganhou uma guitarra de seu pai, aos onze já havia formado sua primeira banda e desde cedo já havia decidido que queria fazer arte e promover mudanças. Ruth lembra do impacto de uma frase de Tony Wilson, fundador do lendário selo britânico, Factory Records, que era citada por seu pai: “Ou você ganha dinheiro ou faz história ou faz arte”. Ter crescido em Manchester, também foi algo decisivo na vida de Ruth: “É uma cidade onde as pessoas fazem as coisas de um modo particular e vem as coisas de um jeito diferente, tentando subverter o status quo através da arte”.

Ruth passou por muitas bandas e chegou a tocar com o The Fall,  uma das bandas mais cultuadas e lendárias da cena britânica, mas aos  20 anos decidiu dar mais um passo e abriu seu proprio selo, Fat Northerner Records. “Eu lançava basicamente bandas do norte da Inglaterra, mas também de todo o resto do mundo, foram muitos álbuns e várias coletâneas digitais, bem na época em que esse formato estava decolando”, diz. Pouco tempo depois, Ruth criou um evento chamado Un-convention, que reunia pessoas para construir novos modelos e formas de trabalhar, mostrando que nenhum músico precisava depender das gravadoras para divulgar e distribuir suas obras e tratando a música como cultura, e não como um comércio. Ruth levou a Un-convention para 25 países em mais de 80 edições do projeto, incluindo uma passagem pelo Brasil, onde trabalhou com diversos músicos e produtores locais.

Esse foi apenas o começo da história de Ruth, que hoje é CEO e diretora artística da In Place of War:  “A iniciativa começou com um professor de teatro aplicado da Universidade de Manchester chamado James Thompson. Ele estava desenvolvendo uma pesquisa sobre o motivo pelo qual as pessoas continuam fazendo arte em áreas de conflito. Ele pensava mais em teatro; eu somei a música a essa equação e assim nasceu a In Place of War, uma organização com ação global que usa a arte e a criatividade como uma ferramenta para implementar mudanças sociais positivas em áreas de conflito, trabalhando com uma rede de mais de 100 agentes que estão usando a arte para transformar a cultura da violência e do sofrimento em oportunidade de esperança e liberdade”, conta Ruth.” Tenho viajado sem parar por todo o mundo para fazer parte da comunidade com a qual trabalhamos, me envolvendo e procurando promover mudanças, sendo parte de protestos, parte de eventos e de encontros”, completa.

“Eu me tornei um ativista desde muito jovem, em uma das minhas primeiras fotos estou nos braços da minha mãe em uma manifestação contra as armas nucleares. Então, eu estive envolvido com ativismo desde que era um bebê”, brinca Ruth, que dedica sua vida a desafiar o status quo:“Vivemos em um sistema que está falhando em todos os níveis, seja por não dar oportunidades iguais às pessoas ou fornecer um lugar mais seguro e bom para viver através da proteção da natureza do planeta e do clima. Criar um sistema de trabalho inclusivo para mulheres e pessoas não-brancas, e de grupos minoritários, proteção das comunidades indígenas, essas são coisas que sou realmente muito importante para mim. A coisa mais importante é a redistribuição da riqueza para tornar as coisas justas em todo o planeta. Precisamos saber como trabalhar juntos para fazer uma comunidade humanitária, uma comunidade global com interesse na proteção, saúde e sobrevivência uns dos outros”.

Hoje a In Place of War tem agentes transformadores em 26 países, que representam milhões de pessoas e suas comunidades. Entre as dezenas de ações promovidas pela instituição, estão a ajuda a comunidades da região amazônica, criação de cozinhas comunitárias em Medellin, na Colômbia, projetos de integração de refugiados em países da Europa, construção de estúdios musicais em regiões da Àfrica e o projeto GRRRL, lançado recentemente em Manchester, que promove colaboração entre mulheres da musica de todo o mundo.

No Brasil, Ruth desenvolveu ume estreita colaboração com vários projetos como a rede de coletivos culturais Fora do Eixo e a Mídia Ninja, além de desenvolver trabalhos com a Abrafim, com comunidades indígenas na região do Xingu, com o Festival Bananada, além de colaborações com o produtor Penna Schimidt e com a SIM São Paulo, da qual se tornou membro do Conselho Consultivo Internacional.

“Conheço a SIM são Paulo há muito tempo, estou conectado com a Fabiana Batistela, ela é uma mulher incrível, dinâmica e apaixonada. Fui convidada para fazer uma palestra na SIM São Paulo há alguns anos e então pude participar pela primeira vez. Me senti inspirada por um evento tão incrível e enorme, feito pela Fabiana e sua equipe incrível. Estou muito feliz em dizer que faço parte do Conselho consultor para poder contribuir através da In Place of War, para poder criar e fornecer conteúdo em conjunto com a SIM São Paulo, pois tem sido um processo maravilhoso”, conta Ruth.

Essa colaboração poderá ser apreciada na edição 2020 da SIM São Paulo, em uma série de conferências que acontecerão todas as sexta-feiras de novembro, abertas ao público e transmitidas aqui no Portal da SIM. “Teremos uma programação incrível que gira em torno de ativismo e mudanças globais. Não se tratam de grandes nomes de pessoas famosas, mas sim sobre os melhores agentes transformadores, mais radicais, no telhado de vidro de todo o mundo. Estou realmente feliz.”, diz Ruth.

Declaradamente apaixonada pelo Brasil, Ruth conclui: “Brasil é o meu país preferido no mundo. Eu nunca vou me sentir mais em casa em nenhum lugar como me sinto aí. Eu encontrei amigos para a vida toda no Brasil me sinto muito emocionada porque amo a paixão revolucionária e o brilho do dinamismo das pessoas que conheci”.

 

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