VANDER LINS: CULTURA COMO UM CONJUNTO DE VALORES AMPLOS

A história de Vander Lins tem muito a ver com destino. Com um currículo extenso, hoje ocupa o cargo de Coordenador de Eventos, na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, na qual é responsável pela implantação e coordenação de eventos do calendário da cidade, que incluem iniciativas públicas ou projetos proprietários, além de aprovações de apoios e patrocínios. Vander também coordena ações com órgãos públicos e o orçamento do projeto Triângulo SP, que visa reativar o centro histórico da cidade, transformando a região em um dos principais destinos turísticos.

Mas a história começa quando, ainda jovem, se aventurou no jornalismo pelo desejo de ser repórter de guerra. “Achava realmente que iria cobrir os grandes acontecimentos bélicos mundiais, como os ‘corajosos’ repórteres que conhecia da televisão. Gostei muito de fazer Jornalismo e acabei iniciando na televisão como repórter do Canal Universitário, mas aí começou um problema. Eu era praticamente uma porta fechada de tão ‘duro’ em frente a câmera”, conta. Tentando se soltar em frente às lentes, Vander decidiu então cursar artes cênicas e, apesar de alcançar o resultado esperado, essa experiência o levou a outra profissão: “No teatro, ao contrário da TV, a produção era muito caótica e a minha experiência de ter tudo organizado, com tempos e movimentos ajustados me fez passar a produzir conteúdos de artes cênicas. Começava minha carreira de produtor no teatro”.

Após o final do curso, Vander foi trabalhar como assessor de imprensa em um evento muito específico, um leilão de cavalos puro-sangue lusitano, que mais uma vez possibilitou a ele ampliar suas atividades: “O evento teve muitos percalços na organização, e acabei sendo deslocado para auxiliar a produção executiva. Começava assim minha carreira de produtor de eventos”, diz Vander que completa, “o meu trunfo em produção é que eu consegui articular comunicação e artes muito bem, então sempre era destacado para produzir o artístico dos eventos. Alguns eventos se repetiram e passei a fazer indicações de artistas que dialogavam com os valores ou a percepção que queria se dar ao público nos eventos. Assim comecei a fazer ‘pequenas curadorias”.
Neste período, Vander foi chamado novamente para produzir conteúdos cênicos. “Os atores com quem eu tinha trabalhado queriam a expertise que eu somava de produção, com a compreensão do artístico. Passei a produzir peças, performances e festivais de animação, além compor equipe de produção dos grandes festivais de música”. Entre os eventos em que ele trabalhou estão Lollapalooza, Planeta Terra, Nokia Trends, Tomorrowland Brasil, Brahma Valley entre outros.

Com uma experiência de alguns anos trabalhando com eventos na área cultural e sócio de uma agência de live marketing, Vander trabalhou em um processo de captação de recursos para uma amiga que trabalhava no MIS (Museu da Imagem e do Som). Ela também fazia parte da equipe de André Sturm, diretor do museu que na época assumiu a Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo. Foi quando Vander foi convidado a trabalhar para a prefeitura paulistana. “ Ela precisava de alguém que soubesse planejar e implantar grandes eventos, e principalmente, que conhecesse o universo de linguagens artísticas e diversidade cultural. E assim o convite foi feito”.

Na Secretaria Municipal de Cultura Vander assumiu a Supervisão de Projetos Especiais, que planejava o Calendário de Eventos as implantações de estruturas, curadoria de conteúdos, os apoios a eventos da iniciativa privada e/ou parceiros, e os projetos propostos via emenda parlamentar. “Em 2019 fui convidado pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR), atual Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (SMDET), como Coordenador de Eventos da Cidade, que entres outras coisas, faço a gestão do orçamento público dedicado a eventos, avalio as proposições de patrocínio, os apoios a eventos, e coordeno os eventos estratégicos da Cidade, sejam de iniciativa privada ou os do calendário público”, conta.
Em 2017, enquanto era funcionário da SMC, Vander foi convidado a acompanhar a edição da SIM São Paulo e participou do meetup – Encontre os programadores de espaços e eventos públicos de São Paulo. “Nos anos seguintes acompanhei o desenvolvimento da plataforma e a linguagem pertinente ao evento e aos negócios da música”, conta Vander, que nesta semana participa da primeira atividade da SIM São Paulo 2021, o Workshop Como Fica o Ao Vivo em 2021?, ao lado da diretora do evento, Fabiana Batistela.

O tema do workshop é bastante urgente, em face a toda a paralisação do setor por conta da pandemia e das adversidades do atual cenário político brasileiro. Quando perguntado sobre como está sendo trabalhar com cultura, Vander responde: “Em Turismo, nossa leitura de cultura é distinta de como a Secretaria Municipal de Cultura a trata. Nós entendemos cultura como um conjunto de valores amplos que podem traduzir territórios, os cidadãos e um tempo. Comumente olhamos para os eventos com viés de interseccionalidades, por exemplo: moda e tecnologia, música e gastronomia, cultura popular e filosofia etc. E construímos a relação com a Cidade a partir destas proposições e relações”. E completa com sabedoria: “De forma geral temos os pilares do que podemos fazer, considerando as restrições, e também migramos para o digital. E variamos a partir das implicações sanitárias. Se formos acompanhar as variações políticas, nem sairíamos do lugar”.

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